28 janeiro 2010

!...

Ia levar o meu filho (10 anos fresquinhos) à escola:

- Pai, baixa-me esta crista no cabelo. Está a estragar-me o style!

Porra! Estou velho!

27 janeiro 2010

Por vezes...

Por vezes apetecia-me chorrilhar. Isso mesmo... chorrilhar.

Abrir a goela e proferir, alimentado por um fôlego ininterrupto vindo sabe-se lá de onde, um contínuo de impropérios contra mim próprio.

É karma; motivo de aprendizagem; estratégia de evolução? Talvez. Mas às vezes sabe bem gritar "Puta que pariu tudo isto!". É libertador, renova o espírito e, embora nem sempre surta os resultados almejados, alinha os chacras, os meridianos e os pontos de acupunctura.

E assim vou eu, numa espécie de hula-hula cerebral, tentando segurar as travessas em ambas as mãos sem deixar cair os copos.

Um amor, velho e inconformado para mim, morto e enterrado para ela; as angústias da espera - espera por respostas, por perspectivas de futuro, por pontos de fuga...

Um pouco de normalidade vinha a calhar.

Dou por mim a rir de outro tanto. O contra-senso inerente... Alguém que advoga a diversidade e a alteridade como valores dinâmicos e propiciadores de mudança anseia agora por um pouco de normalidade. Teria querido dizer estabilidade ao invés de normalidade? Provavelmente o erro estará na escolha de palavras ou - melhor e mais cómodo - o erro está em mim.

É uma travessia. Mas por vezes...

Sons

26 janeiro 2010

Fitas


Quem não viu no cinema pode aproveitar agora que se encontra disponível para aluguer.

Leituras

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes
Antologia Poética

25 janeiro 2010

Leituras

UMA POLÍTICA DE CIVILIZAÇÃO

Edgar Morin et Samir Naïr. Instituto Piaget. s.d.


Relembrei hoje com agrado esta magnífica leitura. Vd.

Tal como é necessário estabelecer uma comunicação viva e permanente entre passado, presente e futuro, também é preciso estabelecer uma comunicação viva e permanente entre as singularidades culturais, étnicas, nacionais e o universo concreto de uma Terra pátria de todos.

Se puderem ler... vão ver que vão gostar. Por vezes é preciso que a evidência se nos esmague na testa como um insecto no pára-brisas de um carro a alta velocidade...

Leituras

Nós somos o que sonhamos ser,
e isso não é tanto uma meta,
senão uma energia.

Cada dia é uma crisálida,
cada dia ilumina uma metamorfose.

Caímos, levantamo-nos,
cada dia a vida começa de novo.

A vida é um acto de resistência e reexistência.
Vivemos, revivemos.

Mas tudo isso tem uma memória.
Nós somos aquilo que recordamos.
A memória é a nossa morada nómada,
como plantas ou aves migratórias.

As memórias têm a estratégia da luz:
seguem em frente;
assim como o remador se desloca de costas para poder ver melhor.

Há uma dor, como uma dor de dentes,
como uma perda física.

E é perder alguma recordação que queremos,
essas fotos imprescindíveis no álbum da vida.

Por isso existe uma classe de melancolia que não agarra,
mas que alimenta a liberdade.

É nessa melancolia, como espuma nas ondas,
que nascem os sonhos.


Manuel Rivas

Aquela saudade...

Será que é de repegar nisto?

De quando em vez bate aquela saudade de vir aqui largar umas larachas...

Estou hesitante... hesito... e volto a hesitar...

Vou beber mais um irish (que não coffee) e depois voltarei com a decisão.

Bjs e abraços

23 abril 2009

Óh valha-nos Sto. Ambrósio

Um menino regressa da escola, cansado e faminto, e pergunta à mãe:
- Mamã, o que há para comer?
- Nada, meu filho.
O menino olha para o papagaio que têm na gaiola e pergunta:
- Mamã, porque não há papagaio com arroz?
- Porque não há arroz!
- E papagaio no forno?
- Não há gás!
- E papagaio no grelhador eléctrico?
- Não há electricidade!
- E papagaio frito?
- Não há azeite!
E o papagaio contentíssimo gritava:
- VIVA O SÓCRATES !!! VIVA O SÓCRATES!!!

Ó tempo, volta para trás...

Hoje trago-vos um desafio: encontrar palavras do nosso riquíssimo léxico a terminar em "eia".

Para facilitar a tarefa, anexa-se um piqueno vídeo que irá, certamente, aguçar a vossa imaginação.

Cá na Ala, as duas primeiras palavras que nos ocorreram foram:
- Verborreia
- Diarreia

Ouvimos dizer...



Que esta era a versão do MS Word a instalar nos computadores Magalhães a distribuir pelas escolas da periferia de Lisboa.
Estamos capazes de apostar que se trata de mais um ataque pessoal e instransmissível da dupla Manuela Moura Guedes / José Eduardo Moniz ao nosso (coitadito) 1º Ministro.

20 abril 2009

Fazer as pazes

E agora um poema do Lobo Antunes para ficar de bem com o mulherio que possa ter paciência para vir espreitar estas nossas limonadas.

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele.
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos, anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo-
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisanas e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

O casamento...

A culpa é da prima!

Prontos... tá bem!

Eu vou ver se largo aqui umas larachas de quando em quando... mas é uma promessa assim a modos que de 1º ministro. Vai daí é coisa para merecer uma credibilidade muito reservada.

11 abril 2007

06 abril 2007

Especially for you

Teias de aranha

Hoje resolvi vir limpar as teias de aranha.
Há aqui pó que chega para enterrar o nosso 1º Ministro (as ideias geniais que me surgem da forma mais inesperada...).
Deste facto e do de ter ido matar saudades dos meus youtube favorites, resultou a ideia de postar um dos meus vídeo clips preferidos de sempre. Fico sempre com a lágrima ao canto do olho...
Vão passando por cá. Nunca se sabe quando é que isto retoma novo e revigorado fôlego.

23 janeiro 2007

De certeza?

Têm a certeza absoluta que esta história se passou na Bósnia? Não terá sido cá?

Diz-se por aí...

Dizem os americanos: "We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash."
Respondem os portugueses: "We have José Socrates, no wonder, no hope, and no cash.

18 janeiro 2007

12 janeiro 2007

Olhem p'ra estes!...

Portugal passou a ser apontado por Bruxelas como o exemplo a não seguir pelos países que vão aderir ao euro. Mais do que procurar responsáveis políticos, o País deve envergonhar-se e assumir isso como uma derrota colectiva.
Paulo Ferreira in Público
Não foi a justiça do Iraque que prendeu Saddam Hussein, não foi a justiça do Iraque que o vigiou e sentou no banco dos réus. Foram todos os que se associaram, com mais ou menos tropas, mais ou menos convicção, à invasão do Iraque. Foram os americanos, os ingleses, os espanhóis, os portugueses.
Joaquim Fidalgo in Público
Agora pergunto: que culpa tenho eu de toda a matéria fecal produzida pelos governantes deste país? Eu nem sequer votei neles.
E fui eu que sentei o Saddam no banco dos réus? Eu, que sou eu, não arranjo dois minutos para me sentar a comer uma refeição descansada.
Senhores jornalistas: essa história de que as derrotas e as asneiras são para assumir pela equipa toda são boas para balneário de equipa de futebol e só ajudam a fazer proliferar uma cultura de desresponsabilização. Ninguém assume os maus resultados e as asneiras. Quando, por milagre, acontece o contrário, vêm todos a correr gritando "Fui eu, fui eu!". Entretanto, nas trincheiras, fica sempre o colectivo nacional, figura sem personalidade própria e capaz de suster pancadaria proveniente de todos os quadrantes sem sequer uma nódoa negra.
A esse discurso, meus senhores, chama-se, muito simplesmente, DEMAGOGIA.
Das duas uma: ou se assumem como meros veiculadores de informação ou como fazedores de opinião. No primeiro dos casos têm a responsabilidade de informar sem obscurantismo e sem ocultar os nomes dos responsáveis. No segundo têm, que mais não seja, a obrigação pedagógica e cívica de não promover a ideia de que é normal deixar a culpa morrer solteira.

02 janeiro 2007

Somos as "Personalidades do Ano" 2006

Para quem ainda não percebeu porque é que a revista Time elegeu todos os internautas como a "Personalidade do ano" de 2006, vejam um extraordinário exemplo daquilo que, todos juntos, podemos fazer.
Há uns meses atrás a cantora norte-americana Terra Naomi lançou no seu site um desafio a todos os utilizadores. A ideia consistia em realizar um vídeo clip para a sua canção Say it's possible utilizando pequenos vídeos feitos pelas mais diversas pessoas, espalhadas por todo o mundo. As únicas condições colocadas neste desafio eram:
- Que fosse visível uma resposta (em três palavras ou menos) à pergunta "O que é que farias ou quererias se tudo fosse possível?";
- Que o vídeo tivesse um máximo de 15 segundos;
- Que o ficheiro não tivesse mais de 10 Megas.
Vejam o resultado e digam de vossa justiça.

01 janeiro 2007

Fitas

O meu filme de final de ano foi Clerks II ou, para consumo interno, Nunca tantos fizeram tão pouco.
Com a responsabilidade de dar sequência a Clerks, entretanto alçado a filme de culto, Kevin Smith não nos desaponta, realizando um filme simplesmente espectacular.
Façam um (grande) favor a vous memes e passem pelo clube de vídeo mais próximo. Garanto-vos gargalhadas até ao limite de sustentabilidade das vossas bexigas.

Leituras

As velas ardem até ao fim

Acabadinho de ler este magnífico romance do escritor húngaro Sándor Márai. Trata-se de uma prosa profunda e sufocante que maravilha pela sua riqueza lexical e pela exploração da gramática de forma bastante ampla. Talvez por isso seja igualmente de reconhecer a importância da tradução de Mária Magdolna Demeter.
É um livro que impressionará mais pelo estilo do que pelo conteúdo. Aborda uma história de amizade platónica entre dois homens, daquelas coisas sobre as quais se costuma dizer: "só nos filmes" ou, neste caso e com mais propriedade, "só nos livros".
Para quem, como eu, gosta da escrita pela escrita, recomendo vivamente.
O meu exemplar pertence à 11ª edição, o que significará alguma coisa.
Deixo-vos três passagens da obra.

É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano. Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os seus defeitos, egoísmos e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão. Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos. Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é o mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa.
(...)
Sabes, uma pessoa gosta de devolver aos deuses algo da sua felicidade. Porque os deuses são invejosos, como se sabe, e quando oferecem um ano de felicidade a um mortal comum, anotam logo essa dívida e no fim da vida reclamam-na com juros de usura.
(...)
O maior segredo e a maior dádiva da vida, quando duas pessoas "semelhantes" se encontram. Isso é tão raro, como se a natureza impedisse com força e astúcia essa harmonia - talvez porque para a criação do mundo e para a renovação da vida necessita da tensão que se gera entre as pessoas que se procuram eternamente, mas que têm intenções e ritmos de vida opostos. Sabes, corrente alterna... onde quer que olhes, lá está essa troca de forças positivas e negativas.

31 dezembro 2006

Apanhados da TVI

Durante os próximos tempos, a Ala irá trazer ao vosso conbídio uma série de pequenos extractos televisivos captados pelos estúdios da TVI no Porto (é tudo gente do norte carago!), que bem ilustrará a riqueza do nosso vocabulário, que assim se prova ser algo em constante mutação. Esperamos que estas recolhas feitas para vossa diversão, possam danificar [ou será dignificar?] este blog.

30 dezembro 2006

Bom dia!

Não poderás vencer a morte. Mas impõe-lhe a vida como um bandarilheiro e verás que muitas vezes ela marra no vazio.

Vergílio Ferreira

29 dezembro 2006

IC 19

Se souberem a quem pertencem... avisem as autoridades.
Enviado por outra leitora.

O homem das 25 imitações



Sugerido por uma leitora.

Um eterno símbolo de bondade...


... que parece continuar a providenciar ajuda mesmo para além da sua morte.
Audrey Hepburn, uma das primeiras (senão mesmo a primeira) embaixadoras da Boa-Vontade da UNICEF, teve no início do mês um vestido seu, da casa francesa Givenchi, vendido em leilão por quase meio milhão de Libras. A quantia obtida reverteu para uma obra designada por City of Joy Aid charity, instituída por Dominique Lapierre, a quem o próprio Hubert de Givenchy havia oferecido o vestido.
Para mais informação vd. aqui.

Ora aí está o segredo!

Aí está a explicação porque los cabrones de nuestros hermanos estão com índices de convergência (até aqui) inexplicáveis e com um dos maiores aumentos do PIB na UE. Pudera!...

Hipocrisia made in the USA

O Departamento do Interior norte-americano propôs a inclusão do urso polar na lista das espécies ameaçadas de extinção, devido à perda de gelo no Árctico, mas não tomou qualquer posição sobre o sobre-aquecimento do planeta.
Quem quiser saber mais ver aqui e aqui.

Publicado também em Numa Curva do Tempo

Aceitam-se apostas!

Eu por mim, acho que o fedelho devia cair da vassoura e estatelar-se com as ventas numa parede. Mas isso sou eu...

Mais vale um pinhão português...

Mais vale uma Conceição Pinhão do que duas pinhas alemãs.

Estarei a ficar velho?

Primeiro veio a UE proibir os produtos tradicionais, alegando que o seu método de fabrico desrespeitava as mais elementares regras de higiene e segurança alimentar; depois vieram a fruta e os legumes normalizados, que é o mesmo que dizer que podem não saber a nada, o que interessa é que sejam bonitos à vista e apresentem todos a mesma bitola - e com isso assistimos na TV às repetidas cenas de agricultores oferecendo frutas e hortaliças na via pública; agora surgem estes cromos cheios de facilidades...
É impressão minha ou o mundo está a avançar depressa demais?

Casino Royal

Em sequência de um post nosso do início do mês e para aqueles que ainda mantenham algumas reservas sobre o mais recente 007, confiram aqui.

Reabertura das hostilidades

Bem... rapazes e co-editores deste blog. Tal como combinado durante o almoço de hoje e caso não estivessem demasiado alcoolizados para se terem esquecido, serve o presente para assinalar o regresso às lides blogmáquicas. Sempre quero ver...

18 dezembro 2006

Ecologia à la Bush

Já todos nós sabiamos como se comportavam os EUA em matéria de política ambiental a nível internacional. Basta analisar a sua posição face ao Protocolo de Kioto.
Agora vejam lá até onde vai a hipocrisia da administração Bush relativamente às questões domésticas. Nem Hitler se lembraria de um plano tão desavergonhado.
Leiam aqui

Publicado pelo Jonas na sua Curva do Tempo

14 dezembro 2006

Circula por aí

Eu, Carolina

Em rigoroso exclusivo nacional, publicamos um excerto do livro "Eu, Carolina Salgado" por incúria não incluído na obra agora à venda em todas as grandes superfícies comerciais.
Pelo manifesto interesse público do excerto e, depois de garantido o consentimento da autora, reproduzime-o-lo. Reproduzimo-si-o. Reproduzimo-li-e-o... enfim, pomo-se-le-o já a seguir. Arre!

10 de Abril
O Jorge Nuno está inquieto. Os nervos estão à flor da pele e já me assentou duas lambadas sem motivo aparente. Mas eu sei a causa. O FC Porto vai receber o Riopele para a Taça de Portugal e, sem caldinhos com os árbitros, ele desconfia que vai perder. Ofereço-me para mandar espancar o presidente do Conselho de Arbitragem da Liga. Diz-me que não, que dá muito nas vistas. Está a amolecer com a idade. E não me refiro só às capacidades para dirigir o clube.

11 de Abril
O alternadeiro do talho, aqui no Ameal, disse que não me fia mais nada sem ver dinheiro. Mandei espancá-lo com um barrote cravejado de parafusos, claro está. Eu não sou dura. Foi a vida que me fez assim.

14 de Abril
Está-se mesmo a ver: sexta-feira à noite e, em vez de sairmos, sua Excelência quer jantar em casa com árbitros. E os ares sebosos dos tipos? Um é careca, o outro tem um bigode que me faz lembrar um azeiteiro que trabalhava no 'Calor da Noite' (ai que saudades). Só falam de foras-de-jogo e penalties. E só comem fruta e doces. Alarves! Há semanas que não se come outra coisa cá em casa. Eu que o diga. É uma vez por semana e 'vivó velho!
Ao menos, não se perdeu tudo. O Jorge Nuno prometeu-me que me levava este fim de semana ao estrangeiro para ver monumentos e coisas assim. Vai ser tão romântico!

15 de Abril
Ganda besta! O fim de semana romântico no estrangeiro, afinal, foi só eu, ele e mais 300 Super Dragões em Gelsenkirschen. E o monumento era o estádio dos alemães. Nunca fui tão apalpada na minha vida. Esta gente não sabe que eu sou uma senhora.

17 de Abril
As finanças recusaram a minha declaração de IRS: não me deixam deduzir a aquisição de um varão Inox nas despesas de "material profissional". Sabem eles que isto custa os olhos da cara? Ou pior?
Conheço um rapaz que é trolha em Freamunde. Muito jeitoso de mãos. Pedi-lhe para espancar o chefe do 13.º bairro fiscal do Porto.

18 de Abril
Afinal, era engano. O varão pode ser deduzido no IRS.
Se o chefe do 13.º bairro fiscal ainda tivesse nós dos dedos, poderia ser ele a fazer a dedução.

19 de Abril
Tenho provas de que o Jorge Nuno esteve envolvido em todas as trapaças do século XX, desde a falsificação das notas do Alves dos Reis até ao atentado falhado contra o Salazar em 1930. E se a TVI me pagar mais, ainda posso comprovar que foi ele quem trouxe a peste negra e o maestro António Vitorino de Almeida para Portugal. E que o terramoto de 1755 só escavacou Lisboa e arredores porque ele mandou.

Bom dia!

Só a cabeça de um morto diz que sim a todos os movimentos que lhe imprimem.

Teixeira de Pascoaes

Homenagem


Teixeira de Pascoaes
Poeta
02.11.1877/14.12.1952

13 dezembro 2006

Eu, Carolina... prestes a ser entalada

Parece que o Abjecto tinha razão nos augúrios que aqui deixou ontem. Carolina vai de vento em popa... direitinha aos baixios de uma (Pinto da) costa que não perdoa erros.

12 dezembro 2006

Eu, Carolina.

Primeiro, admitamos a ideia de que a História é cíclica. Depois juntemos-lhe o credo budista na reencarnação. Agora façamos uso destas duas premissas e digam-me lá se o enredo da telenovela entre Carolina Salgado e Jorge Nuno Pinto da Costa não vos traz à memória histórias de outros tempos?
Carolina foi Claudius e Pinto da Costa foi Agripina. Agora, por ironia ou castigo kármicos, regressados à Terra com o sexo oposto.
Calígula é Valentim Loureiro e o ex vereador Ricardo Bexiga foi Piso.
Tal como Piso teve que se justificar perante o Senado, Ricardo Bexiga veio já meter a boca no trombone e desta feita parece que teve melhor sorte. Já não será uma mulher a limpar-lhe o sarampo, como o fez Plancina, mas livrou-se à justa de bater a bota a mando de uma.
Calígula tenta em vão meter água na fervura. Diz que estes arrufos de casal são muito desagradáveis e que, em relação ao facto de Carolina ter contratado dois jagunços para espancar Ricardo Bexiga a mando de Pinto da Costa, "naturalmente, condeno esse tipo de situações". Estaria a falar do quê? Do espancamento? Ou de Pinto da Costa ter usado uma mulher para encomendar o serviço?
Desconfio que desta vez a História se repetirá e Calígula, caído na desgraça dos Deuses, verá o seu fim antes de Claudius.
A mesma repetição, lamento dizer-vos, se passará entre Claudius e Agripina. Jorge Nuno arranjará maneira de liquidar a sua ex "mais-que-tudo" e o mais provável é que, no final, ao invés de Adeus Tiberius Claudius Drusus Nero Germanicus; Deus dos Bretões; Máximo Imperador do mundo romano, possamos dizer, Adeus Carolina Salgado; Deusa do Alterne; Máxima lerdinha do mundo morcão.
E assim, uma vez mais, tudo se repete. A história que foi outrora a de Eu, Claudius é agora a de Eu, Carolina.

10 dezembro 2006

Morreu Augusto Pinochet

Que a terra pese toneladas sobre a carcaça putrefacta deste biltre sanguinário!

Notícias de fim-de-semana

Ainda estou para saber por que carga de água se comprou cá para casa a edição do Expresso deste fim-de-semana.
Mas Deus escreve direito por linhas tortas. Ontem à noite, colocado perante o dilema de continuar a assistir à vergonha futebolística de um Vitória de Setúbal agachado de cócoras frente ao Sporting ou dispender melhor o meu tempo fazendo outra coisa qualquer, resolvi ler o dito semanário. Eu sei que os jornalistas não podem inventar notícias interessantes. Mas não será que podiam tratar as notícias existentes de forma mais interessante, interessada e menos interesseira?
Como sempre, depois de tudo bem espremido, apenas três ou quatro notícias/apontamentos me ficaram na retina:
- Conflito iminente entre a Argentina e o Uruguai. O clima de afrontamento escala em grande velocidade. Tudo tem a ver com a instalação de uma grande fábrica de celulose na margem de um rio em território uruguaio, rio esse que, a jusante, entra em território argentino. O impacto ambiental deste projecto é a pedra de toque do conflito. Lembrei-me das centrais nucleares espanholas situadas nas margens do Rio Tejo... enfim!
- O Irão vai organizar uma mega conferência internacional subordinada ao tema da existência ou não do Holocausto. É óbvio e assumido que se pretende dar a palavra aos negacionistas e deixar como conclusão vigente que o extermínio de 6 milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial é uma falsidade histórica.
Em meu entender, o perigo que se encontra subjacente a estas súbitas manifestações de interesse sobre o tema é o de que, aquilo que até aqui era apanágio ideológico de pequenos grupos neo-nazis, White-Supremacy, KKK, etc, etc, todos (felizmente) sem grande expressão política, possa agora vir a ser mais um pilar da verborreia anti-semita, numa dimensão ideológica à escala do mundo árabe. E o paradoxo de tudo isto é que as causas mais profundas destas tentativas de legitimação intelectual visando obliterar um facto incontornável da História Contemporânea, têm como causa primordial a obstinação da política externa de Israel, contra tudo e contra todos.
- A nível doméstico achei delicioso o episódio (vejamos se com continuação) da reacção do presidente do Partido Popular Monárquico ás declaraçãos do Duque de Bragança em entrevista ao jornal Diário de Notícias.
A coisa correu mais ou menos assim:
D. Duarte em entrevista ao DN: Cavaco Silva tem agido como um Presidente-Rei!
Reacção de Nuno da Câmara Pereira: O Sr. Duarte mete os pés pelas mãos!
Apetece-nos perguntar: Ó Sr. D. Duarte... "Presidente-Rei"? Que raio de bicho é esse?
Ó Sr. Nuno... "Sr. Duarte"? Então não é V. Exa. monárquico? Trata-se o herdeiro do trono como se fosse o homem da mercearia?
Tenho que descobrir quem comprou o expresso para lhe agradecer.

Conversas em família LXII


Claudinho, o político gago - Parte II

08 dezembro 2006

Homenagem


Em memória de John Lennon FOTO©Epa/Jaroslav Richter

Blogger - versão Beta

Já algum de vós fez o pseudo upgrade do vosso blog para esta tal de versão Beta? Será que também experimentaram o trauma de ficar sem conseguir aceder a coisa alguma durante todo um dia, para depois acabar por receber um email a informar que não tinha sido possivel proceder à transposição?

Conversas em família LXI


Claudinho, o político gago - Parte I

05 dezembro 2006

Homenagem



Raúl Brandão
12.03.1867 / 05.12.1930











Soeiro Pereira Gomes
14.04.1909 / 05.12.1949

04 dezembro 2006

Circula por aí

As manifestações de militares esta semana revelaram incapacidade da democracia em modernizar-se. A proibição sucessiva de encontros ou "passeios" de militares indica que o Estado, dono do monopólio da violência e da ordem, não entendeu como mudaram as formas de debate e de luta social e corporativa, incluindo no seu seio. E como mudaram os papéis sociais dos militares e até o acesso às forças militares por força da acção, entre outros, do próprio Estado, trata-se de uma profissão especial, não de um destino de casta nem de uma obrigação, que deixou de haver. Torna-se cada vez mais difícil enquadrar a menorização democrática dos soldados e polícias. O Estado não cumpre as suas obrigações para com os militares (como estes dizem e nenhum telejornalista, incrivelmente, confrontou os governantes com essa questão) e, a seguir, não lhes permite protestar e reivindicar, empurrando-os assim para onde sempre se empurram os que não têm direitos: a ocupação do espaço público, a rua. Viu-se na televisão: os militares, pela sua formação, não se sentiram bem a fazer o "passeio" contra o Governo, mas foi o Estado que os empurrou para a rua.
É errado o Estado manter normas para proibir este tipo de acções bem como a sindicalização dos policias quando a democracia se aprofundou, as relações em rede e a informação se tornaram universais e omnipresentes, a televisão toca em tudo e o Estado-Nação se vai reduzindo à Selecção Nacional de futebol. As regras de ocupação do espaço público, tal como as defenderam esta semana o primeiro-ministro e o ministro da Defesa, vêm do final do século XIX, quando o poder burguês queria afastar da rua o povo, que não tinha direitos políticos. Criaram-se então normas rígidas para as manifestações e até para a colocação de informação nas paredes. Reuniões? De preferência em salas fechadas (fora do espaço público comum), como tiveram de fazer os militares há um ano na Casa do Alentejo. Já nessa ocasião se percebeu que as normas de proibição a militares e polícias são absurdas quando existem centenas de órgãos de informação... sem contar com a internet.
Além disso, o poder político está sempre a utilizar as forças armadas e policiais para a sua própria propaganda debaixo dos holofotes (há uma classe política que adora mostrar-se na TV perto das fardas), mas ao mesmo tempo proíbe o direito à palavra e reunião a esses mesmos servidores do Estado. Na quinta-feira assistimos a esta cena patética: o ministro da Defesa foi ao aeroporto para, pela centésima quadragésima vez, o governo fazer propaganda com a partida ou a chegada, ou a quase partida ou a quase chegada, de um contigente para Timor, Balcãs ou agora Líbano. E foi ali, nesse mesmo local, um minuto depois da sua acção de propaganda, que Severiano Teixeira condenou os militares que no mesmo dia usaram o espaço público no centro de Lisboa.
Outro governo, menos dedicado à propaganda do que este mas mais à direita, usaria a mesma prerrogativa de proibição e o mesmo uso dos holofotes à custa das fardas alinhadas. Mas é interessante ver como um governo que se diz da esquerda moderna e do choque tecnológico se rege por tópicos sociais envelhecidos e desadequados com mais de cem anos. Já estamos no século XXI: os militares e os policias devem ter mais direitos de reunião e sindicalização. Na sociedade contemporânea, serão melhores militares e melhores policias se não tiverem de recorrer à rua e à televisão para tratar dos seus assuntos corporativos. Caso contrário, só lhes sobra a rua televisionável quando se sentem injustiçados nos seus direitos. O que é bem pior para todos.

Eduardo Cintra Torres
Jornal Público, 26.11.2006

02 dezembro 2006

Fitas

Ontem foi dia de dose dupla e de dupla surpresa:

007 - Casino Royal
Baseado no primeiro livro da série 007, escrito por Ian Fleming em 1953, este Casino Royal é uma enorme surpresa, pela positiva.
Em meu entender esta é a mais humanizada versão do agente secreto em toda a saga. E é igualmente a mais conseguida de todas por ser a que menos recorre aos habituais clichés do agente secreto à prova de bala, à prova de acrobacias, carregado de gadgets, dotado de um sentido de humor quase sempre forçado e desprovido de quaisquer fraquezas.
Daniel Craig, apesar de tudo o que se ouviu sobre as suas birras durante as gravações e não obstante os azares de foi vítima, apresenta-nos um agente secreto ao estilo John Le carré, convincente e mais de acordo com aquilo que uma pessoa normal imagina como um agente secreto, sem a habitual panóplia de palhaçadas que vinham tirando qualidade a um dos nossos agentes preferidos.
Em minha opinião, o filme apenas perde um pouco pelo facto de parte substancial da sua acção se desenrolar num mesmo sítio, sem que isso, no entanto, signifique perda de ritmo.
Quanto aos demais ingredientes que nos deliciam, como os destinos exóticos, a linha de crédito ilimitada, o Aston Martin topo de gama, a acção (desta vez restricta aos limites do humanamente exequível e com uma das melhores cenas de perseguição a pé que já vimos) e as mulheres bonitas (com - o que já não sucedia desde a personagem desempenhada por Maud Adams em Octopussy - uma personagem que, para além de bonita, representa uma mulher igualmente inteligente e sofisticada. É desempenhada por Eva Green, que não é uma actriz qualquer. Trabalhou já com Bernardo Bertolucci e Ridley Scott), está lá tudo.

The Departed - Entre Inimigos
Uma vez mais aplico com toda a propriedade a minha velha máxima Quanto mais os críticos aplaudem, mais eu detesto. E vice-versa!
Duas horas e meia de uma conturbada teia de personagens que só mesmo um génio como Scorsese poderia aguentar com alguma consistência.
Confesso que fui tolerando a coisa até ao momento em que a acção atingiu a sua própria exaustão. Assim como a minha paciência se aproximava do limite, também William Monahan, o argumentista, parece ter chegado a determinado ponto da história em que se fartou e resolveu acabar com a trama. O problema é que demorou uma hora e vinte minutos a urdi-la para depois acabar a coisa em catadupa como se estivesse atrasado para o jantar.
Não entrarei em mais pormenores para não estragar a vossa ida ao cinema. Depois me dirão o que acharam.
O elenco é de luxo: Leonardo DiCaprio, absolutamente brilhante (e isto escrito por quem, até ontem, não dava dois tostões furados por ele). Jack Nicholson, excelente como habitual; Matt Damon, sofrível; Martin Sheen e Alec Baldwin com bons desempenhos como é normal.
Em resumo: foi uma surpresa pela negativa. Não porque o filme não preste (pelo contrário), mas porque, de Martin Scorsese, é sempre legítimo esperar-se um filme muito acima da vulgaridade.

27 novembro 2006

Agora que se acabaram as vacances...

Agora que se acabaram as vacances dos outros dois caramelos que aqui botam discurso, vamos lá a ver se isto volta ao normal. Digo eu... porque até agora ainda ninguém deu sinal de vida.

22 novembro 2006

Memórias


Uma amiga enviou-nos este presente, intitulando-o de Memória Socialista. Eu sei quem terá dado vinte e três voltas na cova, com dois mortais encarpados e meia pirueta...

20 novembro 2006

Bombeiros Voluntários da Vidigueira

Um fogo deflagrou num monte alentejano.
Os bombeiros foram imediatamente chamados para extinguir as chamas.
O fogo estava cada vez mais forte e os bombeiros nao conseguiam dominar as chamas. A situação já estava a ficar fora de controlo quando alguém sugeriu que se chamasse os Bombeiros Voluntários da Vidigueira. Apesar de alguma dúvida quanto às capacidades e equipamento dos voluntários, seria mais uma forma de auxilio. E assim se fez.
Os voluntários chegaram num camião velho e desgastado pelos anos e operações de combate.
Passaram em grande velocidade e dirigiram-se em linha recta para o centro do incêndio. Foram mesmo até ao meio das chamas e pararam.

Estupefacta, a população assistia a tudo. Os voluntários saltaram todos para fora do camião e começaram a pulverizar freneticamente em todos os sentidos. Como estavam mesmo no meio do fogo, as chamas dividiram-se e restaram apenas duas porções facilmente controláveis.
Impressionado com o trabalho dos voluntários da Vidigueira , o dono do monte respirou de alívio quando viu a sua herdade ser poupada à devastação das chamas. Na hora e no local, pôs as mãos na algibeira e passou imediatamente um cheque de 5000 euros à corporação da Vidigueira.
Um repórter do jornal local perguntou logo ao comandante dos bombeiros:
- "5000 euros! Já pensou o que vai fazer ao dinheiro?"
- "Penso que é óbvio, não é?" - respondeu o comandante enquanto sacudia a cinza do capacete...- "A primeira coisa que vamos fazer é arranjar os travões à merda do camião!!!"

Enviada pelo Cruzado Alceu

Homenagem


Ivone Silva
Actriz
??.??.1933/20.11.1987

17 novembro 2006

Homenagens


Mário Dionísio
Poeta, ensaísta, ficcionista, romancista, artista plástico e crítico de arte
16.07.1916 / 17.11.1993







João de Freitas Branco
Musicólogo
10.01.1922 / 17.11.1989

Bom dia!

Elegia ao Companheiro Morto

Meu companheiro morreu às cinco da manhã
Foi de noite ao fim da noite às cinco em ponto da manhã

Ah antes fosse noite noite apenas noite
sem a promessa da manhã

Ah antes fosse noite noite noite apenas noite
e não houvesse em tudo a promessa da manhã

Deitado para sempre às cinco da manhã

Agora que sabia olhar os homens com força
e ver nas sombras que até aí não via a promessa risonha da manhã

Mas quem se vai interessar amigos quem
por quem só tem o sonho da manhã?

E uma vez de noite ao fim da noite mesmo ao cabo da noite
meu companheiro ficou deitado para sempre
e com a boca cerrada para sempre
e com os olhos fechados para sempre
e com as mãos cruzadas para sempre
imóvel e calado para sempre

E era quase manhã
E era quase amanhã

Mário Dionísio

16 novembro 2006

As freiras e a casa de "prostiputas"

O rapaz seguia em alta velocidade na A1 quando viu um cartaz que anunciava em letras garrafais: "Irmãzinhas de São Francisco - Casa de Prostituição - 10km". Pensou que fosse um erro mas reduziu a velocidade. Um pouco mais à frente lá estava outro cartaz: "Irmãzinhas de SãoFrancisco - Casa de Prostituição - 5km" Era verdade! Um pouco à frente, outro cartaz: "Irmãzinhas de São Francisco - Casa de Prostituição - Próxima saída à direita". Depois de ter seguido a direcção indicada, o rapaz deparou-se com um grande estacionamento e, ao fundo, um edifício de pedra com uma placa: "Irmãzinhas de São Francisco". Não resistiu e tocou à campainha. Uma freira já idosa, de longo hábito negro, recebeu-o gentilmente e perguntou:
- "Que deseja, senhor?"
- "Vi o cartaz lá fora e interessei-me."
- "Concerteza!" - respondeu a freira - "Siga-me, por favor".
Atravessaram vários corredores e a freira indicou-lhe uma porta fechada.
- "Aqui, senhor. Por favor bata à porta". Em seguida retirou-se.
Ele bateu à porta e outra freira, também idosa e igualmente num longo hábito negro, estendeu-lhe uma caneca de lata.
- "Por favor cavalheiro, coloque 100 Euros nesta caneca".
Ele colocou o dinheiro e a freira explicou-lhe:
- "Siga directamente até à porta grande. Está destrancada".
O rapaz seguiu as instruções, abriu a porta e entrou rapidamente. A porta fechou-se atrás de si. Surpreendido, viu-se de novo no estacionamento. Ao dirigir-se incrédulo para o seu carro, descobriu uma pequena nota presa sob o limpa pára-brisas: "Vá com Deus e siga em paz, pecador. As Irmãzinhas de São Francisco acabam de o foder".

Enviada pela Padeira de Aljubarrota do costume...

14 novembro 2006

Para quê complicar?

O problema da liberdade foi o que sempre mais me preocupou. Tento pôr ordem nas minhas ideias, mas não é fácil. Fui da esquerda e mesmo da sua direita (porque a direita da esquerda é a mais esquerda, como a direita da direita, a mais direita). Fui-o porque ela era a favor da liberdade humana e se parecia que era contra a liberdade humana, era só por defender a liberdade humana. Hoje sou contra a defesa da liberdade humana, porque sou a favor da liberdade humana. Esquerdas e direitas dizem-me que se eu sou contra a defesa da liberdade humana, por ser a favor da liberdade humana, sou realmente contra a liberdade humana e estou por isso fazendo o jogo de uns ou de outros, consoante aqueles que me acusam.
Ah, por favor, não me peçam explicações - sou homem, não sou político. Defendo a liberdade porque sou pela liberdade e por isso não devo defender a liberdade, porque para defender a liberdade teria de atacar a liberdade, o que me obrigaria então a defendê-la por ser a favor dela - merda! Sou pela liberdade, sou contra a opressão, e isto é simples, é humano, é evidente - disse! E não me chateiem mais.

Vergílio Ferreira, in "Estrela Polar"

13 novembro 2006

Circula por aí

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, está chateado. Está mesmo muito chateado com a nova Lei das Finanças Regionais que significará um corte nas transferências da Administração Central para o orçamento da região na ordem dos 140 milhões de euros. Como se não bastasse, o Ministério das Finanças anunciou que haverá «consequências jurídicas e financeiras» para a Região Autónoma da Madeira, devido ao aumento de 150 milhões de euros no endividamento líquido daquela região. Ainda por cima este gigantesco défice estava habilmente omitido na execução orçamental da região e só foi descoberto por acaso, depois de uma operação de cessão de créditos levada a cabo por alguns dos grandes credores do Governo Regional, cansados de esperar pelos seus pagamentos.

Não admira, pois, que o inefável Alberto João Jardim esteja mesmo chateado. E, como toda a gente sabe, quando o Alberto João está chateado, pimba: ou faz um “despacho”, ou faz uma “resolução”. Desta vez foi um despacho! E o que despachou desta vez este insular e indómito Bokassa? Despachou nada mais nada menos do que a obrigatoriedade dos serviços do Estado pagarem um renda pela ocupação de edifícios regionais. Ora bem: Penso que nem vale a pena aqui falar do peculiar significado que Alberto João Jardim dá ao conceito de «Estado». Nem vale a pena debruçarmo-nos sobre a racionalidade jurídica, ou até prática, desta iluminada decisão do nosso carnavalesco ilhéu. Pensemos somente no Orçamento da Região Autónoma da Madeira. Ora, como toda a gente sabe, a Madeira apresenta nos últimos 30 anos índices de desenvolvimento absolutamente notáveis. Ele é túneis por todo o lado, auto-estradas sem custos para o utilizador, claro, uma pista do aeroporto construída de forma inédita sobre o mar, eu sei lá. Por isso, nem sequer ficaria bem falar nas transferências que ao longo destas três décadas a Administração Central fez para o orçamento da região. Porque o dinheiro foi com toda a certeza bem gasto e impecavelmente gerido pelo Governo Regional da Madeira, pelo seu indómito presidente e por toda aquela simpática gente do PSD que gravita ali à volta. Sendo assim, e para demonstrar este genialidade gestionária e governativa, que tem o pesado fardo de gerir os destinos da Pérola do Atlântico desde o 25 de Abril, nada melhor do que irmos dar uma pequena olhadela ao «Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2006», aprovado pelo decreto legislativo regional nº 21-A/2005-M de 30 de Dezembro. Para quem tiver pachorra…. Para quem não tiver, então deixo aqui respigadas, absolutamente ao acaso, claro está, algumas das verbas da despesa deste orçamento para o ano de 2006.
Então aqui vai:
- Festival de poesia do Porto Santo: € 301.338,00;
- Restauro de órgãos de igrejas: € 1.534.694,00;
- Campanha de imagem: € 9.838.173,00;
- Material promocional: € 4.937.262,00;
- Festa do fim do ano: € 64.720.184,00;
- Promoção de provas automobilísticas: € 4.254.725,00;
- Promoção do golfe: € 4.893,008,00;
- Subsídios aos clubes de futebol Marítimo e Nacional: € 21.358.448,00;
- Ajudas para as deslocações dos clubes de futebol Marítimo e Nacional: € 10.157.800,00;
- Participação no capital das SAD’s dos clubes de futebol Marítimo e Nacional: € 87.500,00;

- Apoios a outros clubes de futebol: € 21.060.936,00;

Total destas pequenas e singelas 11 rubricas: € 143.144.068,00. Por coincidência, um valor próximo do tal aumento do endividamento líquido da Região Autónoma. Mas é só coincidência, claro!

Não há dúvida: Alberto João Jardim tem muita razão para estar chateado! Mandem mais dinheiro para a Madeira! JÁ! O Marítimo precisa de reforços! NÃO É SÓ O ALBERTO, TEMOS TODOS RAZÃO PARA ESTAR CHATEADOS! É que nós somos todos sócios do Marítimo e do Nacional... via IRS!

Num futuro não muito longínquo...

Esta rábula pode muito bem ser vista como aquilo que o Engº Sócrates preconiza para futura Tabela Nacional de Incapacidades por acidentes de Trabalho e Doença.
Reforma por invalidez? Só depois de passar pela colagem de selos nos CTT, ao abrigo da famigerada mobilidade laboral.
Ora vejam...

Assina-se por baixo.








CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES

Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras motivadas por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta. A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta NUM DIREITO QUE O SENHOR AINDA NÃO ELIMINOU: o de manifestar publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da governação.
Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento.
Desminta, se puder, o que passo a afirmar:
1.º Do Statics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona Euro.
2.º Outra publicação da Comissão Europeia, L´Emploi en Europe 2003 , permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E o que vemos? Que em média nessa Europa 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado, enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento. Ou seja, a mais baixa dos 12 países, com excepção da Espanha.
As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice destes dois países?
3º. Um dos slogans mais usados é do peso das despesas da saúde. A insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de 1458. Em Portugal esse gasto é . 758. Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730, a Áustria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.
Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um poço de virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas infelizmente os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo público. A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado. A questão reside em fazer escolhas acertadas. O Senhor optou pelas piores. De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas:
1.º Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito barbaridades . Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo patrão ).
OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PAGAM OS SEUS 11 POR CENTO!.
Mas O SEU PATRÃO ESTADO NÃO ENTREGA MENSALMENTE À CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES, COMO LHE COMPETIA E EXIGE AOS DEMAIS EMPREGADORES, os seus 23,75 por cento. E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos.
Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua reforma ser calculada segundo os critérios aplicados aos restantes portugueses. Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco mais de uma década.
Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice das iniquidades que subjazem á sua política o ministro Campos e Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7.000 Euros de salário, os 8.000 de uma reforma conseguida aos 49 anos de idade e com 6 anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte.
2.º Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seus encantos , baixou-os em 4 pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2.
3º Por outro lado, fala em austeridade de cátedra, e é apologista juntamente com o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da implosão de uma torre ( Prédio Coutinho ) onde vivem mais de 300 pessoas. Quanto vão custar essas indemnizações, mais a indemnização milionária que pede o arquitecto que a construiu, além do derrube em si?
4º Por que não defende V. Exa a mesma implosão de uma outra torre, na Covilhã ( ver ' Correio da Manhã ' de 17/10/2005 ) , em tempos defendida pela Câmara, e que agora já não vai abaixo? Será porque o autor do projecto é o Arquitecto Fernando Pinto de Sousa, por acaso pai do Senhor Engenheiro, Primeiro Ministro deste país?
Por que não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de Euros que as empresas privadas devem à Segurança Social ?
Por que não pôs em prática um plano para fazer a execução das dívidas fiscais pendentes nos tribunais Tributários e que somam 20 mil milhões de Euros ?
Por que não actuou do lado dos benefícios fiscais que em 2004 significaram 1.000 milhões de Euros ?
Por que não modificou o quadro legal que permite aos bancos , que duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos ?
Por que não renovou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento que permitiu à PT não pagar impostos pelos prejuízos que teve no Brasil, o que, por junto, representará cerca de 6.500 milhões de Euros de receita perdida ?
A Verdade e a Coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou para se diferenciar dos seus opositores.
QUANDO SUBIU OS IMPOSTOS, QUE PERANTE MILHÕES DE PORTUGUESES GARANTIU QUE NÃO SUBIRIA,
FICÁMOS TODOS ESCLARECIDOS SOBRE A SUA VERDADE.
QUANDO ELEGEU OS DESEMPREGADOS , OS REFORMADOS E OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COMO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE COMBATE AO DÉFICE,
PERCEBEMOS DE QUE TEOR É A SUA CORAGEM.

Santana Castilho (Professor Ensino Superior)

Desculpem-me!


Desculpem-me o vocabulário mas esta não posso deixar de contar:

Um polícia de serviço no atendimento telefónico do 112 recebeu uma chamada com o seguinte pedido de socorro em tom desesperado:

- POR FAVOR, MANDEM ALGUÉM COM MUITA URGÊNCIA. ENTROU UM GATO AQUI EM CASA !!!
- Mas... entrou um gato dentro de casa???
- SIM, UM GATO!!! ELE INVADIU A MINHA CASA E VEM CAMINHANDO NA MINHA DIRECÇÃO!!!
- Tenha calma, tenha calma. Você quer dizer um ladrão?
- NÃO, FODA-SE QUE É BURRO! ESTOU MESMO FALANDO DE UM GATO. DESSES QUE FAZEM MIAU, MIAU, PORRA!!!
- Mas o que tem de especial um gato ir na sua direção?
- ELE VAI MATAR-ME, PUTA QUE PARIU!!! E VOCÊS SERÃO OS CULPADOS, SEUS BÓFIAS CORNUDOS DE MERDA!!!
- Mau! Quem fala por favôr?!?!?!
- DAQUI FALA O PAPAGAIO, SEU INCOMPETENTE DO CARALHO!!!

11 novembro 2006

Como será?

Como será que vai acabar este processo?
Atrevo-me a arriscar que vai acabar da mesma forma que esta grande trapalhada.
Isto é quase a conversa de bater no ceguinho, mas porra:
- Estes parasitas são nomeados sem qualquer competência ou aptidão profissional, apenas porque pertencem aos aparelhos rosa ou laranja (conforme a maré negra);
- São pagos principescamente, soterrados em mordomias e alcavalas;
- Foram incumbidos de fiscalizar as contas do Hospital Amadora-Sintra;
- O tribunal concluiu que não fiscalizaram coisa alguma;
- O tribunal concluiu que foram negligentes;
- O Estado foi lesado em 75 milhões de Euros DO NOSSO DINHEIRINHO!
Vem esta chusma de (des)governantes exigir-me sacrifícios, fazer-me pagar cada vez mais impostos, aumentar-me os descontos, despojar-me das legítimas aspirações supostamente conquistadas por décadas de trabalho que me saiu do corpinho, para depois os "boys" andarem por aí a queimar e/ou a deixar queimar esse dinheiro e, cúmulo do absurdo, a receber fortunas para o fazer?
E no final da história ainda temos que deglutir o batráquio de ver sair impune e airosamente toda esta corja?
Como diria o meu tio Adalberto, pessoa de muito bom trato, verniz e estatura moral:
- Vão mas é roubar a puta que os pariu!

Por que será?

Depois ainda me perguntam espantados o porquê de, gostando eu tanto de ensinar, não ter seguido a carreira docente.
Ora se eu fosse professor na escola deste freguês, o que será que lhe teria feito logo após a proeza?

Homenagem


Sampaio Bruno
Filósofo e Publicista
30.11.1857 / 11.11.1915

09 novembro 2006

Não há fome que não dê em fartura...

O companheiro Jonas andou, andou, andou... e o blog não saía. Parece que é desta que a coisa vai e com múltiplos requintes.
Afinal não é só na guerra que o personagem é preciosista...
Bom trabalho! Agora vamos lá ver o que é que sai dessa Curva do Tempo.
Boa sorte!

Homenagens



Tomás Alcaide
Cantor Lírico
16.02.1901 / 09.11.1967






Jorge Segurado
Arquitecto
??.??.1898 / 09.11.1990

06 novembro 2006

Se dúvida houvesse...



... de que conseguimos tudo aquilo em que nos empenhamos, eis um bom exemplo.
Quem estiver interessado em aprofundar o assunto, faça o obséquio de navegar até aqui.

Homenagem



Columbano Bordalo Pinheiro
21.11.1857 / 6.11.1929



05 novembro 2006

Em homenagem ao PSD / Madeira

O Presidente do PSD Madeira veio ao Cont'nente e levou a família ao zoo.
Ao deambularem por lá, o filho mais novo observou com espanto:
- Olha um trigue!
O irmão mais velho responde indignado:
- Não é nada um trigue... é um leopoldo!
A mãe, surpreendida pela inteligência, comentou:
- Pior a ementa que o cimento!
E diz o pai orgulhoso pela estirpe:
- Quem sai aos seus não é de Genebra!

Conversas em Família LV

04 novembro 2006

Catarse

O direito ao foda-se

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a nossa auto-estima, torna-nos pessoas melhores. Reorganiza as coisas. Liberta-nos.
"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então, foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade do que "comó caralho"?
"Comó caralho" tende para o infinito. É quase uma expressão matemática.
"A Via Láctea tem estrelas comó caralho!".
"O Sol está quente comó caralho!".
"O universo é antigo comó caralho!".
"Eu gosto do meu clube comó caralho!".
"O gajo é parvo comó caralho!".
Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!", nem o tão pouco ou nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto. Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência. Solta logo um definitivo: "Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!". O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema, e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD.
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pensa na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente, sílaba a sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito assim, põe-te outra vez nos eixos. Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha do seu interlocutor e solta: "Chega! Vai mas é levar no olho do cu!"? Pronto! Acabaste de retomar as rédeas da tua vida e a tua auto-estima. Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória, espírito renovado e amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a sua derivação, mais avassaladora ainda: "Tá fodido!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando estás a sem documentos do carro, sem carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a mandar-te parar. O que dizes? "Tou fodido!" Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e a justiça são de baixa qualidade, os empresários são reles e procuram o lucro fácil e em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo necessário para a desejada aposentação está constantemente a aumentar … o que é que pensas? “Já me fodi!”
Então:
Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade
e
FODA-SE!!!
Mas não desesperem: Este país … ainda vai ser “um país do caralho!” Atentem no que vos digo!

Adaptação livre de um texto de autor brasileiro. Como a autoria já foi atribuida a, pelo menos, quatro pessoas diferentes, não vai aqui o nome de nenhum deles.

03 novembro 2006

E que tal?

E que tal agora um espancamento também em directo, via internet, do pulha do pedófilo?
Prova provada de que a Internet também suporta muita podridão e, já agora, de que nem tudo é mau no reino da Microsoft.
 

is where my documents live!