19 maio 2010
(Re)Leituras
(...) Então a chama alumiou-lhe a face e ele viu o fio das lágrims. Fusako apagou o isqueiro ao ver que ele tinha reparado. Ryuji voltou a abraçá-la e, aliviado pela certeza daquelas lágrimas, chorou também.
O marinheiro que perdeu as graças do mar
Yukio Mishima
Janelas Verdes
Quem me conhece sabe que quando necessito estar em Lisboa às 9 horas da manhã saio de casa, no máximo, às 06,30. Chamem-me louco se quiserem (e estarão na mouche). Uma coisa é certa: nos engarrafamentos matinais da via rápida da Costa de Caparica é que ninguém me apanha. Já não tenho saúde mental para tamanha odisseia.
Mas ele há males...
Cheguei às 07,30 onde só tinha que chegar às 09,30.
Decidi sentar-me a ler no Jardim 9 de Abril,também conhecido por Albertas ou Jardim da Rocha do Conde de Óbidos (situa-se na antiga Cerca do Convento das Albertas - Freiras Carmelitas - de onde advém o primeiro nome, estando assente sobre a Rocha do Conde de Óbidos, de onde deriva a segunda designação).
Escolhi um dos três bancos de primeira linha no miradouro que integra o jardim. O que me impressionou, mais do que a soberba vista que se estende até à margem sul, foi o festival de sons que, do local, nos é dado fruir: A campainha da passagem pedestre da linha de combóio, pintassilgos, o sopro metálico dos eléctricos da Carris, melros, carros, motas, autocarros, toutinegras, a sirene de um paquete que anuncia o acto de zarpar...
O fervilhar das pessoas na Avª 24 de Julho correndo para os transportes; turistas, num ritmo mais pausado,tentando localizar-se num mapa a que dão voltas e mais voltas...
O pulsar da cidade em toda a sua plenitude.
Lá permaneci embrenhado intermitentemente, ora nisto, ora n'O marinheiro que perdeu as graças do mar, de Yukio Mishima.
Já vou, seguramente, na 4ª ou 5ª leitura desta novela. Mas esta será, por força da beleza que me tem inspirado, seguramente a última. Não a quero lembrar de outro modo!
Já repararam como múltiplas leituras de um mesmo livro são capazes de nos proporcionar estados de alma tão diferentes a cada uma das vezes?
Aproximando-se a hora em que tinha que me apresentar no Museu Nacional de Arte Antiga, desloquei-me para a sua entrada.
No topo do Largo Dr. José de Figueiredo existem dois prédios esguios, a lembrar os edifícios da Isle-de-France, em Paris, ou da Grand Place, em Bruxelas, não fosse a parca arquitectura dos mesmos e os azulejos azuis que forram as suas fachadas.
Num deles, à janela, no terceiro andar, uma senhora idosa envergando nada mais do que o soutien e um chapéu de palha, estendia um rol de cuecas à moda antiga, intervalando a rotina com breves pausas para expor, por instantes, as suas costas ao sol.
No piso térreo a fachada avisa e direcciona: Cerâmica Constância.
Lisboa ao seu melhor estilo, no muito que ainda tem para nos oferecer.
Abençoadas horas que fiquei a dever à cama!
18 maio 2010
O saber não ocupa lugar
E assim poderei continuar a dizer aos amigos, com toda a propriedade: As coisas que eu sei e que não me servem para nada!
(Brincadeira!...)
Parabéns a mim!
Onde vou?
Para onde vou?
Não sei!
Vou sorver o sol sofregamente, regenerar a minha energia, mergulhar na água salgada, expurgar más-vibrações.
Vou mergulhar uma vez... e outra... e outra. Vou deixar que a espuma branca me envolva, me enrole, me possua. E nadar, sem fim... ao sabor da corrente, sulcando o azul profundo.
Exausto, náufrago desta vida de derivas muitas, irei espreguiçar-me na areia húmida, encher as mãos com milhões de grãos dourados e deixá-los escorrer entre os dedos, lembrando o carácter éfemero da nossa existência e remendando, ainda que por um breve instante, o erro tantas vezes repetido de não gozar cada momento como sendo único, irrepetível.
Por vezes, poucas, muito poucas, dou por mim a apreciar quão maravilhosa é a vida. Se levar comigo estes fotogramas, estes momentos cristalizados, já não terei perdido tudo e a vida terá feito, a custo, algum sentido.
14 maio 2010
09 maio 2010
Tal como o ar que respiro...
Mais exactamente desde o dia em que seguimos rumos diferentes
Lembro o que não devia lembrar
Lembro quando não devia sequer lembrar
A vida segue caminhos sinuosos
A dúvida persiste
As interrogações perseguem-me e acumulam-se
Tenazes, ácidas, corroem-me a alma e a esperança.
A nossa história acabou no dia em que começou
Vil o destino que nos condena apenas depois de conhecer a felicidade
Quero ser lagarta, casulo, borboleta
Mas não ter que morrer para o ser
Crueldade tamanha
Tristeza sem fim
Uma promessa de eternidade
Arrastando-se sequiosa para um final que não o foi
Amo-te existencialmente
porque assim tem que ser
não porque o queira
mas porque me é vital fazê-lo
Tal como o ar que respiro...
Far away
Nickelback
08 maio 2010
Crepes e gatas.
- Queres mais um crepe?
- Sim... mas este com com mel e canela. Estou atulhado com tanto gelado e chocolate derretido.
- Eu vou comer outro com geleia de frutos silvestres.
- Fazes bem!
Estendi o olhar por sobre o tampo de vidro martelado da mesa da copa. Empenhada em manter o prestígio deste seu dote culinário, lá estava ela, ao fogão, porte altivo e empertigado. Uma mão na cintura, outra na asa da frigideira. O pé direito pousava sobre o esquerdo e as suas pernas ensaiavam, por isso mesmo, uma geometria curiosa. De quando em vez inspecionava mais detalhadamente o andamento daquela finíssima camada de massa, resultado de uma porção calculada ao infinésimo para evitar que o resultado passasse de crepe a panqueca em menos de nada.
- Tenho que me deixar disto!... fico gorda.
- Estás um naco, é o que é.
- Pois sim...
- Queres ajuda? Seguras na frigideira e eu seguro-te a ti...
- Não inventes!
Deitada numa das cadeiras, a gata castanha lambeu os bigodes, como se também ela tivesse provado um pedaço de crepe, ou, quiçá, adivinhasse os pensamentos libidinosos que me cruzavam a mente.
- Toma! Come e cala-te. Não me dês ideias...
- Eu? Seria lá capaz de tamanha maldade?
- Disso e de muito mais...
- Espero por ti...
- Olha que arrefece...
- O meu amor por ti? Nunca!
- Parvo! O crepe, homem... o crepe.
- Ah!... nesse caso... vem comer o teu crepe sentada no meu colo.
- Tá doido!
- Dá-me um beijo!
- Ó sarna!!!
Trocaram-se beijos... trocaram-se sabores de canela, mel e frutos silvestres.
Lá fora os cães ladraram. Cá dentro a gata castanha bocejou e enroscou-se para o lado contrário.
Pedir não custa
07 maio 2010
Disseram-me hoje...
- O vizinho deve ser fresco... deve ser sempre a aviar...
Já não é a primeira vez que ouço coisa parecida.
Lamento ter que dizer (ou, neste caso, escrever) que a realidade é bem menos interessante. Mas aplaudo a imaginação de quem profere tais afirmações.
Umas vezes dizem-no como se eu fosse capaz de grandes proezas quixotescas. Outras, fazem-no de semblante carregado e ar desaprovador.
Confesso que nunca prestei grande atenção ao assunto. Eu não ando cá para constituir exemplo. Ando cá, apenas e só, para ser fiel a mim próprio.
Por vezes - muitas - sigo o caminho certo. Outras há em que... não o consigo evitar.
Estarei perdido?
Diz-se que navio que navega sem destino navega sem rumo. Mas o que posso eu fazer? As minhas grandes expectativas de vida foram já alcançadas. Tenho dois filhos maravilhosos e já experimentei o que é sentir um grande amor.
Ando órfão de objectivos.
Neste momento a escolha mais difícil é o que comer ao almoço.E como diria o magnânime Denny Crane: Há uma coisa de que às vezes nos esquecemos. Por muito difícil que seja o nosso dia ou as nossas escolhas, por muito complexas que sejam as decisões éticas, podemos sempre escolher o que comer ao almoço.
Valha-nos Nossa Senhora!
A Atlantis diz que esta peça de cristal é uma representação da Nossa Senhora de Fátima.
Tem tudo para ser um Susexo. Ou quase tudo... faltam as pilhas.
Enviado por uma leitora da Ala.
06 maio 2010
05 maio 2010
Estes animais...
Muito intrigado pergunta:
- Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas!
- É muito simples - responde a cobra - rastejo, o que me permite avançar.
- Ah... E como é que fazes para te reproduzires? Não tens tomates!
- É muito simples - responde a cobra já irritada - não preciso de tomates, ponho ovos.
- Ah... E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!
- Não preciso! Abro a boca assim, muito grande, e com esta enorme garganta engulo a minha presa directamente.
- Ah... Ok! Ok! Mas então, resumindo.... rastejas, não tens tomates, só tens é garganta... És Chefe de quem?????!!!!!!!!
03 maio 2010
30 abril 2010
28 abril 2010
27 abril 2010
Questão religiosa ou horológica?
Deus: Sim?
Homem: Eu posso fazer-lhe uma pergunta?
Deus: Claro!
Homem: O que é um milhão de anos para si?
Deus: Um segundo.
Homem: E um milhão de dólares?
Deus: Um centavo.
Homem: Deus, será possivel dar-me um centavo?
Deus: Espere só um segundo!
Volta, Salazar. Estás perdoado!
Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar. Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes. E que dizia, em resumo, a Lei 2105? Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros". A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário de Estado. O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma". Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do "fascismo" (Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias. Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420000 euros por mês, um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365000 mensais. Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa. Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto irá vencer pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana. Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo. Curioso é também comparar este valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e...de Portugal. Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar. Que tristeza!
26 abril 2010
Missão (quase) cumprida!
Começámos, como manda a tradição, por nos perdermos no asfalto. Sim... porque no mato a malta nunca se perde!!!
Chegados à Capela das Necessidades foi feito um compasso-de-espera até tirar o sacristão da cama. Não falha! O homem pressente gente e sai sempre disparado à procura da Elvira, uma musa, não se sabe se Clio, se Erato (afinal a senhora é de História mas trabalha com livros), que, em idos de outras passeatas, lhe bateu à porta pedindo autorização para lavar a cara no tanque da roupa.
Lá partimos contrariados pelo facto de não haver manteiga da Quinta do Alcube. A semana passada as ovelhas fizeram saber que nem mesmo que a ordenha fosse feita pelo ministro das Finanças se lhes conseguiria espremer uma gota de leite a mais. Mal sabiamos nós que os padeiros do moinho em Palmela tinham ido todos para o fogo-de-artifício e que nem a uma abençoada côdea de pão teriamos direito.
Por falar nisso: quantos de vós podem afirmar ter já assistido em simultaneo a fogo-de-artifício em Setúbal, Lisboa, Almada, Seixal, etc., etc.? Hein?
Bem feita!
24 abril 2010
23 abril 2010
22 abril 2010
Milagres... precisam-se!
No dia 11 de Maio todos os monumentos e sítios dependentes do IGESPAR terão acesso gratuito por ocasião da visita do Papa Bento XVI a Portugal.
Os palácios nacionais, museus e sítios tutelados pelo Ministério da Cultura terão também acesso gratuito.
O despacho de S. Exa. o Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, justifica tal decisão com a importância política, cultural e religiosa da visita do Papa Bento XVI e, ainda, a perspectiva de a ocasião poder propiciar à população nacional e aos visitantes estrangeiros tempos de maior disponibilidade para o lazer espiritual e enriquecimento cultural (...). (Vd. Despacho aqui)
Esta abébia terá que ser conciliada com a tolerância de ponto dada aos funcionários públicos em Lisboa, para a tarde de dia 11 de Maio. (Dia 13 há tolerância de ponto a nível nacional e no dia 14 de manhã, apenas para os funcionários públicos do Porto).
Posto isto, apetece-me tecer os seguintes comentários:
- Os funcionários públicos que trabalham nos monumentos, sítios, palácios nacionais e museus vão ter o previlégio de, uma vez mais, serem entalados (para não utilizar o vernáculo) em relação aos seus congéneres;
- O Papa é um sujeito pouco solidário. Sim... é verdade. Se fosse um gajo pachola, e considerando que só há tolerância de ponto no sítio por onde sua Eminência passa, faria um périplo tipo Volta a Portugal em Papamóvel, para que todo o miserável funcionário público pudesse usufruir de maior disponibilidade para o lazer espiritual e enriquecimento cultural, indo, por exemplo, à praia, fazer um piquenique com a família, ou até - porque não? -, passar a tarde no tasco lá do bairro a beber mines e a comer torresmos à desgarrada durante uns riscos de bisca dos nove.
- Sendo dia 11 de Maio uma 3ª feira e dia 13, forçosamente, uma 4ª feira, está-se mesmo a ver a malta a meter uns dias e a ir de vacances para os algarves, com ou sem fim-de-semana incluído. Mas tudo bem! haja tempo para o lazer espiritual.
- A única coisa de verdadeiramente positivo que me parece ser possível retirar de tudo isto é a abertura gratuita dos museus, palácios, monumentos, etc e tal. Tenho a certeza que, em sequência do maior afluxo de fiéis às igrejas de de Lisboa durante a tarde de dia 11 de Maio, o Patriarcado de Lisboa não deixará escapar a oportunidade de fazer passar a cestinha das esmolas para reunir uma verba solidária que permita (pelo menos) aos museus adquirir um mísero tonner para a impressora que é comum a todos os serviços, ou, o que já não é novidade, poder adquirir papel higiénico para as suas instalações sanitárias.
Perguntar-me-ão: Mas como é que nada disto ainda veio a lume? E como é possível a Senhora Ministra da Cultura afirmar em recente entrevista que os museus em Portugal nunca viveram uma situação financeira tão desafogada?
À primeira pergunta respondo-vos que tais situações não foram ainda tornadas públicas porque os Directores dos nossos museus são (quase todos) verdadeiros milagreiros. (Podiam aproveitar a presença do Papa para os canonizar!). Ainda se argumenta que os nossos museus precisam de gestores? Numa discussão mais aprofundada diria que sim. Mas olhem que os actuais titulares, muitos deles sem qualquer competência técnica nessa área, não são nada maus...
À segunda pergunta... não sei responder. A menos que a Senhora Ministra viva no 5º anel de Saturno e venha à Terra só para assinar o Despacho.
Milagres... precisam-se!
Pode ser que com a vinda do Papa...
21 abril 2010
19 abril 2010
18 abril 2010
Citações
Pedro Tadeu
in Diário de Notícias
Ora tomem lá este exemplo e ganhem vergonha nessas caras. Corja de sanguessugas...
17 abril 2010
Afinal elas já nascem assim.
Mostrei este post à minha vizinha de baixo que me respondeu:
Caminhada na Arrábida
Vamos deixar secar o terreno.
O ponto de encontro é no terminal de autocarros em Palmela, por volta das 22 horas.
Nada de baldas!...
16 abril 2010
Laivos de claridade
E por que não mesmo uma idiotice?
Todas as pessoas apaixonadas agem por vezes de forma idiota e pensam, não menos vezes, de forma igualmente idiota. Não obstante estão-se nas tintas, descendo voluntariamente a limites onde nunca haviam pensado chegar, pondo em causa o seu amor-próprio ou mesmo a sua dignidade.
Não importa. Nada importa.
Chegando a uma certa idade e a um determinado grau de consciência de quão precioso e raro é tal sentimento, é extraordinário aquilo que estamos dispostos a fazer pela mera possibilidade de amor.
Não é fácil de alimentar, de suster. Mas fosse ele fácil de encontrar e perderia todo o seu preciosismo.
Nunca é tarde... mas por vezes sentimo-nos invadidos pela sensação de que é já tarde demais.
Um dos meus favoritos
Não tendo nada de nada para fazer, para mal dos meus pecados, revi as mais de três horas de um dos meus filmes favoritos: Magnolia, de Paul Thomas Anderson.
A puta da vida não é fácil. Mas também não foi feita para isso!
Não foi muito boa ideia...
Fica a Aimee Mann com o seu Wise up à laia de homenagem ao filme.
14 abril 2010
Seminário de Cultura Material
Terei o maior prazer em contar com a vossa presença.
Vd- AQUI
13 abril 2010
11 abril 2010
Sortelha
Eu prometo colocar no blog algumas fotos das muitas idas a Sortelha para melhor perceberem o património cultural e natural posto em causa por esta verdadeira barbaridade.Nem mais nem ontem...
10 abril 2010
Bonsais I
08 abril 2010
Errático
O email com o trabalho seguiu dois minutos depois da meia-noite. Se não houvesse qualquer coisita de atraso, a entrega do trabalho seria atípica. Então não é de "tuga" atrasar tudo? E o que dizer do "quarto-de-hora" académico? E o chegar atrasado a encontros e a reuniões? E até ao casamento. Não é costume as noivas chegarem atrasadas à igreja ou à Conservatória do Registo Civil? Coitadas... São coisas como esta que dificilmente se perdoam às mulheres. Deus concedeu-lhes a possibilidade (que não deu aos homens) de poder usufruir de um tempo extra para caírem em si e se deixarem estar bem. Mas não! Insistem em subir ao altar. Irra!
"Altar é local de sacrifício" e esse é um facto inquestionável.
Mas adiante...
Eufórico - não sei se por ter acabado o trabalho se por força do JB green label - comecei logo a divagar sobre o "como" e o "onde" ir gastar o dinheirito que está para vir. O que foi? Querem ver que também não é tipicamente "tuga"? Antes de vir já está destinado e dane-se quem achar que a coisa assim é mal congeminada.
Surfando a net fiquei como o Toni, nas "Conversas da Treta":
- Hesito!
Cabo Verde, Rep. Dominicana, Jamaica, México ou Açores?
Por esta altura estarão a pensar: férias de teso. É verdade. Mas afinal de contas eu SOU TESO e acabei de fazer um pequeno trabalho. Não assaltei Fort Knox.
Em função do orçamento, toca a estabelecer critérios de preferência e de exclusão:
- Cabo Verde? Estive o ano passado na Ilha da Boavista. Vou já de seguida para C. Verde? Nops!
- Rep. Dominicana? Já fui. Mas aquela água... Meu Deus, aquela água...
- Jamaica? Um sonho antigo. E por que não?
- México? Tenho um preconceito latente que fará com que ainda não seja desta...
- Açores? Nunca fui. É daquelas coisas que "É já ali! Vou em qualquer altura.". Entretanto dá-nos o treco lareco e acabamos por nunca lá pôr os pés. Não sei... hesito...
Porra! Tenho as torradas a fazer e já me cheira a José Sócrates em dia de exame de Inglês.
Depois logo vos direi como ficou esta minha deambulação mental. Provavelmente será, como quase sempre, atropelada pela velocidade estonteante das contas para pagar...
Vou mas é comer.
Sayonara!
PS: espero que tenham percebido o tom desprendido deste post. Claro que era bom que pudesse ser assim.
07 abril 2010
Onde é que eu já vi/ouvi isto???
Enviado por um leitor deste blog. Tal como com o deputado, não fui autorizado a referir o respectivo nome.
Passeio na Arrábida
Dia 17 de Abril, passeio nocturno na Arrábida.
Pormenores brevemente disponíveis aqui
(Re) Leituras
(...) Em toda a parte a sociedade conspira contra a virilidade de cada um dos seus membros. É uma empresa de capital social cujos membros se põem de acordo para retirar liberdade e cultura àquele que come, a fim de melhor garantirem o pão quotidiano dos seus accionistas. A virtude mais estimada é o conformismo. A sociedade só sente aversão pela autoconfiança. Não gosta de realidades nem de criadores, mas de nomes e costumes.
"A Confiança em Si" (1841) in
A Confiança em Si, A Natureza e outros ensaios
Ralph Waldo Emerson
06 abril 2010
Mais logo...
Estávamos em plena laboração - os prazos são para respeitar (excepto pelos empreiteiros de obras públicas) - mas chegou aquela altura em que os olhos se turvam, a boca seca e um espasmo latente ameaça estourar algures entre o cóccix e a cervical.
Recostámo-nos na cadeira a ouvir Sheryl Crow e a pensar na família, nos amigos; nessa intrincada teia que é a vida e neste tosco tecer que é o nosso.
Mais logo vamos "bater à porta" de uns quantos e dizer-lhes que temos saudades deles.
A nossa vida não tem que se resumir à possibilidade da surpresa. Tem que se alindar à capacidade de surpreender.
Uma pequena centelha de felicidade terá sempre a incrível capacidade de fazer deflagrar o maior dos incêndios no coração de um ser humano.
Uma pequena centelha de felicidade será sempre como uma brisa fresca de final de tarde, sussurrando o prenúncio de algo diferente.
Para ti...
I took my love and I took it down
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow-covered hills
'till the landslide brought me down
Oh, mirror in the sky, what is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail through the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?
I don't know.....I don't know...
Well I've been afraid of changin'
'cause I've built my life around you
But time makes you bolder; children get older
I'm getting older too....
So, take this love...take it down.
Oh, if you climb a mountain and you turn around
If you see my reflection in the snow-covered hills
Well the landslide will bring you down;
The landslide will bring you down...
05 abril 2010
04 abril 2010
03 abril 2010
A malta fala
A mim sempre me fez alguma confusão falar de outrem na sua ausência. A maioria das vezes não há sequer qualquer razão para que tal aconteça. Mas isso é bom até porque nos mantém alerta para a necessidade de guardar uma atenção constante ao que dizemos sobre os outros.
Tenho por regra não proferir o que quer que seja sobre outra pessoa, que não fosse capaz de lhe dizer pessoalmente.
Embora nem sempre com o mesmo sucesso, tento colocar a mesma reserva relativamente ao que me é dado a ouvir. A minha avó gostava muito de se referir a estas situações como conversa de emprenhar pelos ouvidos.
Nesta época de Quaresmas, dietas e o Diabo a quatro, que tal se nos abstivéssemos de falar (nem precisa de ser mal) gratuitamente sobre os outros? Que tal se refreássemos o nosso hábito, useiro e vezeiro, de falar só por falar, como se não houvesse nada mais importante no mundo sobre o que conversar ou se não tivéssemos nada de verdadeiramente significativo para dizer aos outros.
Recuso-me a acreditar que o problema seja esse. É impossível que as pessoas sejam assim tão limitadas.
Haverá concerteza muita gente a quem não temos dito vezes suficientes o quanto gostamos delas, familiares e amigos, tantas vezes distantes, a quem poderiamos telefonar para dizer "estou aqui e não me esqueço de ti".
As palavras são demasiado preciosas para serem desperdiçadas. E pior do que o serem em vão é o serem-no com consequências negativas e desnecessárias.
Vamos todos fazer um pequeno exercício de contenção: no cabrito, no folar, nas amêndoas, mas, e sobretudo, no uso que fazemos das palavras.
Eu vou tentar!
02 abril 2010
O anúncio do fim
Ficamos reconhecidos pelas reclamações do nosso enormíssimo exército de seguidores(as)...
01 abril 2010
O anúncio do fim
Depois de muito meditar sobre o assunto, cheguei à conclusão de que já não há pachorra para manter este blog.
Assim, e para que o dito cujo não fique para aqui em limbo, o blog será inexoravelmente APAGADO.
Obrigado pela atenção que foram dispesando a estas linhas ao longo de uns anitos.
Bjs e abraços.
Pirolito
31 março 2010
Páscoa
- Ora, Páscoa é ...... bem... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal ?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se
o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me
engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Maria, vem cá!
- Sim?
- Explica lá ao puto o que é ressurreição
para eu poder ler o meu jornal descansado.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a
viver após ter morrido. Foi o que aconteceu
com Jesus, três dias depois de ter sido
crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus.
Entendido?
- Mais ou menos ... Mãe, Jesus era um coelho?
- Que parvoíce é essa? Estás-te a passar!
Coelho? Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece
que foste baptizado! Jorge, este menino não pode
crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos
domingos. Até parece que não lhe demos uma
educação cristã! Já pensaste se ele diz uma
asneira destas na escola? Deus me perdoe!
Amanhã vou matricular esta criança na catequese!
- Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?
- É filho! Jesus e Deus são a mesma coisa.
Vais estudar isso na catequese. É a Trindade.
Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Fátima?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?
- Não é o Banco Espírito Santo que fica na
Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus.
É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende
muito bem, para falar a verdade nem ninguém,
nem quem inventou esta asneira a compreende.
Mas se perguntares à catequista ela explica
muito bem!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- (Aos gritos no meio da casa) Eu sei lá! É uma
tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de
presentes, ele traz ovinhos.
- O coelho põe ovos?
- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu
não aguento mais!
- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então peru .
- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro,
não é? Em que dia é que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- Gaita!!!! Sabes que eu nunca pensei nisso?
Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira
santa e ressuscitou três dias depois, no sábado
de aleluia.
- Um dia depois portanto!
- (Aos berros) Não, filho - três dias!
- Então morreu na quarta-feira.
- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou
terá sido na quarta-feira de cinzas? Ouve, já
me baralhaste todo! Morreu na sexta-feira e
ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como!?!? Como!?!?
- Pergunta à tua professora da catequese!
- Pai, então por que amarraram um monte
de bonecos de pano na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia
vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o
apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não lhe batem no dia certo?
- É, boa pergunta.
- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite que o
nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim
esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido,
não achas?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da tua professora da catequese !!!
30 março 2010
Marguerita
A estrada serpenteia por entre a arriba fóssil. Na descida em causa, o mar e a linha de horizonte ficam confinados entre o vermelho da duna consolidada e o pardo das areias soltas, tendo o céu como única fuga possível, numa espécie de pirâmide invertida a lembrar um copo de marguerita.
Beberia o momento e o efeito não seria menos inebriante.
29 março 2010
Doca de Belém
Alvorecer cinzento, nuvens baixas apressadas por um vento gélido.
A ponte fervilha de pequenos pontos em movimento.
Um cacilheiro vence, a custo, um Tejo que fervilha, como que a querer entrar em ebulição.
Na doca, o desacerto do movimento dos mastros pauta-se por um aceno de sentido único que me diz: não!
A hora mudou este fim-de-semana (porque não mudei eu?). É por isso que ainda está tão escuro (e assim estou também eu).
Como num sonho confuso, gaivotas cruzam os ares em rumos de secretos propósitos ou, porventura, voando apenas porque existem para o fazer, porque é essa a sua natureza.
Será que tudo na vida tem mesmo que obedecer a um plano pré determinado?
Não existe lugar para coincidências?
Tanto racionalismo esmaga-me!
Um dia decido concretizar algumas (senão todas) das coisas que, tenho a certeza, me iriam dar um gozo quase (senão mesmo) animal. Coisas que não fiz porque o bom-senso e a urbanidade assim o determinam. Coisas que fogem à norma, à Lei e a todas as regras que, muitas vezes estupidamente, formatam e castram a nossa existência.
Fico-me por aqui.
Como diz a sabedoria popular: "Cão que ladra não morde!"... e este ladrar já vai longo!
26 março 2010
Leituras
O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, 1940.
(1ª Ed., 2ª Imp. - Cavalo de Ferro Editores, Lda., 2006).
Este romance foi considerado "melhor livro do ano - 2005" pelo Público/Mil Folhas; Expresso/Actual; Revista Sábado; e Revista Visão.
O denominador comum para tamanhos elogios é a existência de uma metáfora "ambígua e aberta", que, supostamente, suscita questões existenciais, permitindo ao leitor rever a sua própria experiência de vida na de um jovem Oficial italiano que exaure toda a sua existência à espera de um inimigo que não chega e na contemplação de um deserto longamente inconsequente.
Percebemos os dilemas e as resignações que se colocam de forma permanente ao principal personagem da obra mas não nos conseguimos rever em tal experiência de vida.
A nossa existência é mais cheia de desacertos do que de resignações.
Deu um filme (Vd. aqui).
25 março 2010
Sons e algo mais...
To the soul's desires
The body listens
What the flesh requires
Keeps the heart imprisoned
What the spirit seeks
The mind will follow
When the body speaks
All else is hollow
I'm just an angel
Driving blindly
Through this world
I'm just a slave here
At the mercy
Of a girl
Oh I need your tenderness
Oh I need your touch
Oh I dream of one caress
Oh I pray too much
To the soul's desires
The body listens
What the flesh requires
Keeps the heart imprisoned
What the spirit seeks
The mind will follow
When the body speaks
All else is hollow
You keep me waiting
For the promise
That is mine
Please stop debating
Please stop wasting
Your time
Oh I need your tenderness
Oh I need your touch
Oh I dream of one caress
Oh I pray too much
Depeche Mode
When the body speaks
24 março 2010
Do programa cinematográfico de ontem
Muito mau: O filme O Adeus às Armas, de Frank Borzage (1932). Embora o filme estivesse (mal) legendado, ter que gramar a Helen Haye e o Gary Cooper dobrados em Castelhano foi um castigo verdadeiramente dispensável.É certo que o argumento do filme se baseia na obra homónima de Ernest Hemingway (A Farewell to Arms) que viveu muitos anos em Cuba. Mas não era preciso exagerar.
;-)
22 março 2010
A não perder
Exposição e ciclo de cinema e debate Portugal nas Trincheiras - A I Guerra da República.
Programa completo
A exposição, propriamente dita, está patente ao público até 23 de Abril, 3ª-5ª, Dom: 10h00-18h00; 6ª-Sab: 10h00-24h00, no Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres - Museus da Politécnica (Rua da Escola Politécnica, junto aos museus da Ciência e Nacional de História Natural).
Ciclo de cinema e debate no Cinema São Jorge, 22 a 24 de Março.

Foto de Arnaldo Garcez
Graças ao apoio do Exército, da Liga dos Combatentes e de dezenas de particulares que se associaram a esta iniciativa, foi possível reunir um conjunto muito significativo de peças e documentos relativos à presença das tropas portuguesas na frente de guerra europeia. Desde a partida das tropas para a Flandres - em Fevereiro de 1917 -, até à evocação da memória da Guerra através da Arte, a exposição mostrará a preparação das tropas; a forma de fazer a guerra; o quotidiano dos soldados; a Saúde em contexto de guerra; o que foi a Batalha de La Lys; o papel dos Presidentes da República Portuguesa no conflito e como acabou a guerra, em Novembro de 1918, e se chegou ao Tratado de Versalhes de 1919.
Entre os objectos expostos está um pequeno diário de guerra de um soldado oriundo de uma aldeia da Beira Alta contará a experiência da Grande Guerra na 1ª pessoa e em português. Outros documentos, como correspondência enviada pelos soldados para Portugal, peças do quotidiano, como marmitas, colheres e objectos artísticos elaborados pelos soldados a partir de munições, ou objectos menos agradáveis, mas com igual importância histórica, como instrumentos cirúrgicos utilizados pelos médicos do CEP, permitirão ao visitante fazer uma autêntica viagem no tempo. Essa viagem será acompanhada, a par e passo, pela imagem - fotografia e filme -, permitindo evocar o Combatente "anónimo", mas também aquele cujo nome está hoje associado a outros contextos, esquecida que foi a sua condição de combatente da I Guerra Mundial. Serão, assim, entre outros, evocadas as memórias associadas à Grande Guerra de Jaime Cortesão, Anastácio Gonçalves e Hernâni Cidade.
...x...
Exposição Diary Drawings - Mental Illness and Me.
Obras da artista inglesa Bobby Baker.
Fundação Calouste Gulbenkian - Edifício Sede - Zona de Congressos.
Mais informação e imagens a partir daqui.
Divirtam-se com estas (avisamos desde já) poderosíssimas experiências.
21 março 2010
O velho Nicolau
20 março 2010
18 março 2010
Sons
Etta James - I'd Rather Go Blind
Chamem-lhe Oldies, chamem-lhe o que quiserem. Mas hoje já não se "ouve" tanto sentimento, tanta alma, numa canção.
Aliás, Etta James é, para mim, um must have da soul music.
E se a vida pudesse ser uma torrada aparada?
O meu Nicolau, velhote de quatro patas, já há três dias que não se tem nelas. Embora não esteja incontinente não consegue locomover-se, pelo que fica deitado numa poça de urina e fezes. Há que lavá-lo e secá-lo, depois de o encostar a uma qualquer parede, como se fora uma bicicleta.
Bebe da mangueira e, até ontem, comia da minha mão.
É um animal que tem tido uma vida repleta de problemas de saúde não congénitos. Não tem tido muita sorte nesse capítulo.
Em consequência de uma dessas situações, em que espetou uma silva na vista esquerda, perfurou a córnea e desenvolveu um glaucoma. Foi necessário extrair-lhe o olho. Foram tantas as peripécias que, por vezes e carinhosamente, me referia a ele como o meu robodog.
O Nicolau tem treze anos e meio. No final do ano passado tive de eutanasiar a Tara, com doze anos. Cancro no útero e, posteriormente, por todo o lado. Também os animais são merecedores de uma vida com um mínimo de qualidade.
Restam-me o Chaka e a Luca com, respectivamente, doze e seis anos.
Provavelmente, este irmão não durará muitos mais dias. Lá terá que seguir a luz e esperar por outra fase da sua existência.
E é assim a vida: esperando por um pouco de miolo. Começamos a ficar embaçados com tanta côdea!!!
17 março 2010
16 março 2010
Roscas
Ora tomem lá um post vernacular para não se queixarem da minha ausência. Ao menos vão-se rindo (enquanto a vontade não se me volta...).
08 março 2010
Ai a fominha que vem por aí...

Os novos pobres
A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país, fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do BCP que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.
07 março 2010
Mais velhos
Hoje acordámos cheios de vontade de estabelecer novas determinações de vida.
A primeira delas já está ao lume: uma massada de garoupa.
Bon appétit!
05 março 2010
Acessibilidades na Broadway.

ArtsBeat: Making Broadway Accessible for the Disabled
By ERIK PIEPENBURG
Published: March 2, 2010
A Q. & A. about the Theater Development Fund's Accessibility Program, which offers services to disabled theatergoers.
Gotas de água numa tarde de Verão
Estávamos no final de uma tarde sensaborona, uma tarde como tantas outras não fora o vislumbre da tua pessoa.
Combatias a calçada à força de mangueira num afã compenetrado. Desta feita era Dulcineia quem investia contra os gigantes feitos paralelepípedos, os quais, ainda que constrangidos pela imobilidade, ripostavam freneticamente, devolvendo cascatas de água que te molhavam o fato de treino.
A batalha continuou, acesa. À brancura da pedra sucedia-se o negrume do algodão encharcado. Onde outrora apenas se deixava adivinhar um par de seios firmes acrescentavam-se agora dois mamilos decididos.
O teu corpo, encharcado, era coroado por uma cara impenetrável. Olhar enigmático, penteado desalinhado...
Os teus pés teimavam em escorregar nas chinelas de borracha, merecendo, de quando em quando, sérias reprimendas. Inaudíveis, à distância a que me encontrava de ti, mas que me fizeram rir... primeiro de ti... depois para ti.
Não me viste... nem foi preciso.
Os laivos de vermelho e violeta que riscavam o céu, anunciavam não apenas mais um crepúsculo estival, mas também que, num dia não muito distante, seriamos um do outro.
Visitante nº 100.000
03 março 2010
Leituras
Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais "cheiram" a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou.
Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?
Paulo Varela Gomes (Historiador)
In "Cartas do Interior", Público, 27.02.2010.
02 março 2010
01 março 2010
Equívocos
Ah pois tem!
A vida tem destas...
Destas e doutras!
A vida tem destas coisas...
Era isto que eu queria escrever!
Existem encontros que estão condenados a resultar em desencontros; conhecer alguém apenas para ficar sem perceber o porquê de tal facto.
Terá que existir um porquê? Há quem entenda que sim, que tudo tem uma razão para ocorrer.
São estes mistérios, por vezes assombrados, outras vezes assombrosos, que dão à vida o seu colorido, misto de propósitos e despropósitos, de querer, de julgar que se quer mas não quer, de não se perceber o que se quer.
O que ando cá a fazer?
Há muito que me coloco esta questão. O mais céptico em relação às respostas que encontro sou eu próprio.
Provavelmente a resposta não tem que ser demasiado rebuscada e será, tão somente, não ando cá a fazer nada.
Tempos houve em que tal conclusão me deixava bastante transtornado. Ninguém gosta de reflectir sobre a sua existência e acabar com um saco cheio de vento entre as mãos. Olhar-se no espelho e preferir que o dito parasse de reflectir o que não consegue ser mais do que apenas patético. Ninguém quererá estar no mais consigo de si (como diria João Bénard da Costa) e desesperar por sair de si próprio.
Hoje refugio-me no pensamento mesquinho de que, por mais vã, mais "fff" (fútil, frívola e fodida - três palavras a querer significar a mesma coisa) que a vida me pareça, esta realidade vai ter que me aturar. É a minha derradeira maldade. Ponho nessa ideia comezinha toda a importância do mundo, ainda que mais ninguém tenha que o fazer. É a vingança elevada à mais soberba das potências.
É engano? Afinal não é nada disso?
Pode ser!...
Terá sido, então, apenas mais um equívoco.
Sugestão de visita

Este Domingo fui com a criançada ver a exposição "A Aventura da Terra - Um Planeta em Evolução", patente ao público no Museu Nacional de História Natural, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa.
Integrámos a visita dramatizada que ocorre no último Domingo de cada mês.
Embora alguns dos conteúdos sejam demasiado elaborados para crianças com menos de 9/10 anos, o actor (creio que o seja) que veste a pele de Charles Darwin e nos guia através da exposição, encontra-se muitíssimo bem preparado e utiliza um registo que foi capaz de segurar as minhas crianças durante um hora inteirinha. Quem trabalha nestes domínios saberá dar a devida importância a semelhante feito.
A exposição, que recorre a uma museografia muito simples, é bastante eficaz e mostra-nos a história abreviada do nosso planeta e das tipologias mais representativas de espécies que nele habitaram.
Muito, muito interessante. Muito didáctica e, com toda a certeza, duas horas bem passadas.










