18 maio 2010

O saber não ocupa lugar

Ontem entreguei o trabalho final de mais uma pós-graduação, desta feita em Direito (para fugir à História e à Museologia).
E assim poderei continuar a dizer aos amigos, com toda a propriedade: As coisas que eu sei e que não me servem para nada!
(Brincadeira!...)

Parabéns a mim!

Sons


Freezing
Mozella

Onde vou?

Vou caminhar na praia.
Para onde vou?
Não sei!
Vou sorver o sol sofregamente, regenerar a minha energia, mergulhar na água salgada, expurgar más-vibrações.
Vou mergulhar uma vez... e outra... e outra. Vou deixar que a espuma branca me envolva, me enrole, me possua. E nadar, sem fim... ao sabor da corrente, sulcando o azul profundo.
Exausto, náufrago desta vida de derivas muitas, irei espreguiçar-me na areia húmida, encher as mãos com milhões de grãos dourados e deixá-los escorrer entre os dedos, lembrando o carácter éfemero da nossa existência e remendando, ainda que por um breve instante, o erro tantas vezes repetido de não gozar cada momento como sendo único, irrepetível.
Por vezes, poucas, muito poucas, dou por mim a apreciar quão maravilhosa é a vida. Se levar comigo estes fotogramas, estes momentos cristalizados, já não terei perdido tudo e a vida terá feito, a custo, algum sentido.

09 maio 2010

Tal como o ar que respiro...

Há já algum tempo que tenho saudades tuas
Mais exactamente desde o dia em que seguimos rumos diferentes
Lembro o que não devia lembrar
Lembro quando não devia sequer lembrar

A vida segue caminhos sinuosos
A dúvida persiste
As interrogações perseguem-me e acumulam-se
Tenazes, ácidas, corroem-me a alma e a esperança.

A nossa história acabou no dia em que começou
Vil o destino que nos condena apenas depois de conhecer a felicidade
Quero ser lagarta, casulo, borboleta
Mas não ter que morrer para o ser

Crueldade tamanha
Tristeza sem fim
Uma promessa de eternidade
Arrastando-se sequiosa para um final que não o foi

Amo-te existencialmente
porque assim tem que ser
não porque o queira
mas porque me é vital fazê-lo

Tal como o ar que respiro...


Far away
Nickelback

Sons



Safe in these arms
Jimmy Somerville

08 maio 2010

Crepes e gatas.

Quase meia-noite. Um daqueles serões em que - vá-se lá descobrir os engenhosos mecanismos da gula - damos por nós sobressaltados a julgar-nos capazes de comer este mundo e o outro.
- Queres mais um crepe?
- Sim... mas este com com mel e canela. Estou atulhado com tanto gelado e chocolate derretido.
- Eu vou comer outro com geleia de frutos silvestres.
- Fazes bem!
Estendi o olhar por sobre o tampo de vidro martelado da mesa da copa. Empenhada em manter o prestígio deste seu dote culinário, lá estava ela, ao fogão, porte altivo e empertigado. Uma mão na cintura, outra na asa da frigideira. O pé direito pousava sobre o esquerdo e as suas pernas ensaiavam, por isso mesmo, uma geometria curiosa. De quando em vez inspecionava mais detalhadamente o andamento daquela finíssima camada de massa, resultado de uma porção calculada ao infinésimo para evitar que o resultado passasse de crepe a panqueca em menos de nada.
- Tenho que me deixar disto!... fico gorda.
- Estás um naco, é o que é.
- Pois sim...
- Queres ajuda? Seguras na frigideira e eu seguro-te a ti...
- Não inventes!
Deitada numa das cadeiras, a gata castanha lambeu os bigodes, como se também ela tivesse provado um pedaço de crepe, ou, quiçá, adivinhasse os pensamentos libidinosos que me cruzavam a mente.
- Toma! Come e cala-te. Não me dês ideias...
- Eu? Seria lá capaz de tamanha maldade?
- Disso e de muito mais...
- Espero por ti...
- Olha que arrefece...
- O meu amor por ti? Nunca!
- Parvo! O crepe, homem... o crepe.
- Ah!... nesse caso... vem comer o teu crepe sentada no meu colo.
- Tá doido!
- Dá-me um beijo!
- Ó sarna!!!
Trocaram-se beijos... trocaram-se sabores de canela, mel e frutos silvestres.
Lá fora os cães ladraram. Cá dentro a gata castanha bocejou e enroscou-se para o lado contrário.

Sons



Release me
Agnes

Pedir não custa

                                      Foto@EPA/Ettore Ferrari
Santo Padre, concedei-me duas graças:
1ª A de me conseguir reerguer desta vénia. Acho que o cóccix se me cristalizou algures entre a próstata e a cabeça do fémur esquerdo. Como se não bastasse fiquei com um testículo preso sob o calcanhar direito e não sei se me baixe se me levante;
2ª A de ter fôlego para realizar mais  cento e vinte e quatro longas-metragens. 
Já agora, deixe que lhe diga que Vª Eminência ostenta um lindíssimo par de sapatos.

Sons


Tell me where it hurts
Garbage

Solilóquio.

Olá meu amor!
Queres uma Margarita... um Mojito?
...
...
...
...

07 maio 2010

Disseram-me hoje...

Disseram-me hoje:
- O vizinho deve ser fresco... deve ser sempre a aviar...
Já não é a primeira vez que ouço coisa parecida.
Lamento ter que dizer (ou, neste caso, escrever) que a realidade é bem menos interessante. Mas aplaudo a imaginação de quem profere tais afirmações.
Umas vezes dizem-no como se eu fosse capaz de grandes proezas quixotescas. Outras, fazem-no de semblante carregado e ar desaprovador.
Confesso que nunca prestei grande atenção ao assunto. Eu não ando cá para constituir exemplo. Ando cá, apenas e só, para ser fiel a mim próprio.
Por vezes - muitas - sigo o caminho certo. Outras há em que... não o consigo evitar.
Estarei perdido?
Diz-se que navio que navega sem destino navega sem rumo. Mas o que posso eu fazer? As minhas grandes expectativas de vida foram já alcançadas. Tenho dois filhos maravilhosos e já experimentei o que é sentir um grande amor.
Ando órfão de objectivos.
Neste momento a escolha mais difícil é o que comer ao almoço.E como diria o magnânime Denny Crane: Há uma coisa de que às vezes nos esquecemos. Por muito difícil que seja o nosso dia ou as nossas escolhas, por muito complexas que sejam as decisões éticas, podemos sempre escolher o que comer ao almoço.

Valha-nos Nossa Senhora!

Vejam bem a peça que a Atlantis decidiu criar para comemorar a vinda do Papa ao nosso país.
A Atlantis diz que esta peça de cristal é uma representação da Nossa Senhora de Fátima.
Tem tudo para ser um Susexo. Ou quase tudo... faltam as pilhas.

Enviado por uma leitora da Ala.

Bonsais V

Prunus (Serrulata?) + Cotoneaster (Angustifolius?) + Ácer (Negundo?)
Abril 2010

Sons



The game of love
Michelle Branch & Carlos Santana

05 maio 2010

Estes animais...

Um elefante vê uma cobra pela primeira vez.
Muito intrigado pergunta:
- Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas!
- É muito simples - responde a cobra - rastejo, o que me permite avançar.
- Ah... E como é que fazes para te reproduzires? Não tens tomates!
- É muito simples - responde a cobra já irritada - não preciso de tomates, ponho ovos.
- Ah... E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!
- Não preciso! Abro a boca assim, muito grande, e com esta enorme garganta engulo a minha presa directamente.
- Ah... Ok! Ok! Mas então, resumindo.... rastejas, não tens tomates, só tens é garganta... És Chefe de quem?????!!!!!!!!

Sons



Just for you
M People

Bonsais IV

Pinheiro Branco Japonês
Pinus Pentaphylla

Janeiro 2009

 

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