15 outubro 2006
14 outubro 2006
Seixal Graffiti
Uma iniciativa que começou com a desconfiança da população, convencida que esta era apenas uma consequência daquela velha máxima Se não os podes vencer, junta-te a eles!", o Seixal Graffiti é hoje uma realidade bem presente na agenda cultural dos jovens do Concelho. Pena é que a sua periodicidade não seja tão regular quanto se desejaria.O evento decorre durante este fim-de-semana mas os 250 metros de trabalhos vão permanecer durante bastante tempo.
Quando e se puderem dar um passeio pela baía do Seixal, um dos cenários ribeirinhos mais bonitos de Portugal, não hesitem. Já agora, aproveitem para almoçar um belo peixe grelhado.
12 outubro 2006
Cavalo-Marinho
Já que estamos numa de fauna marinha:

A matemática é uma coisa tão bonita.
Quem 60 ao teu lado
e 70 por ti,
vai certamente rezar 1/3
para arranjar 1/2
de te levar para 1/4
e depois te dizer: "20 comer!!!"
e 70 por ti,
vai certamente rezar 1/3
para arranjar 1/2
de te levar para 1/4
e depois te dizer: "20 comer!!!"
Bom dia!
Uma estória
Tenho minhas mãos vazias
se só Deus mas pode encher
de flores selvagens, estrelas
e de um bafo de mulher.
Foram tempos de folia
abaixo do meu querer.
Tão disperso, nele havia
imagens de estarrecer.
Eram cavalos alados
de cascos de sal e espuma
e um dedo desenhando
fugas de incerta fortuna.
Era o amor de três laranjas
e uma corda ao pescoço.
O sorriso de Maria
fulgurante nos meus cílios.
Eram, repito, fantasmas
- minha estranha condição
-Mas uma estrela apontava
Rumos ao meu coração.
O que o futuro me tece
não o sei, mas adivinho
a noite que me amanhece
sem que me encontre sozinho.
- Um melro surpreendido
voando montanha acima.
A semente, menos viva,
rompendo floridas brácteas.
Ruy Cinatti, 09.04.83
Tenho minhas mãos vazias
se só Deus mas pode encher
de flores selvagens, estrelas
e de um bafo de mulher.
Foram tempos de folia
abaixo do meu querer.
Tão disperso, nele havia
imagens de estarrecer.
Eram cavalos alados
de cascos de sal e espuma
e um dedo desenhando
fugas de incerta fortuna.
Era o amor de três laranjas
e uma corda ao pescoço.
O sorriso de Maria
fulgurante nos meus cílios.
Eram, repito, fantasmas
- minha estranha condição
-Mas uma estrela apontava
Rumos ao meu coração.
O que o futuro me tece
não o sei, mas adivinho
a noite que me amanhece
sem que me encontre sozinho.
- Um melro surpreendido
voando montanha acima.
A semente, menos viva,
rompendo floridas brácteas.
Ruy Cinatti, 09.04.83
11 outubro 2006
Fitas
Hoje é a minha vez!Vi por acidente. Recomendo vivamente.
As Horas (The Hours).
Trata-se de um drama realizado em 2002 por Stephen Daldry.
Mereceu 8 nomeações para os Óscares, tendo obtido o Óscar para principal actriz, ganho por Nicole Kidman.
Posso dizer-vos, sem margem para hesitações, que foram as melhores interpretações que vi a Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep e Ed Harris. E logo tudo no mesmo filme. Muito, muito bom!
15 segundos daqui a 15 anos.
E é assim que, por vezes, se fazem grandes descobertas: por acidente!
Homenagens
09 outubro 2006
08 outubro 2006
Fitas
Durante a semana que agora termina, vi e revi com renovada satisfação dois magníficos filmes: Mentiras sinceras (Separate lies) e Uma boa mulher (A good woman).
O tê-lo feito deu-me, aliás, a oportunidade de lembrar igualmente o quanto a generalidade dos críticos de cinema me tem sido útil ao longo da vida: Quanto mais eles detestam, mais eu gosto; e vice-versa.
Estes foram dois filmes bastante sovados pela crítica mas que eu não me canso de recomendar.
Tenho para mim que muita crítica de cinema resulta da verborreia pseudo-intelectual de uns quantos "iluminados", que entendem o cinema como algo de transcendente e os filmes como projectos que têm obrigatoriamente de ser produzidos e realizados com o fito único de ganhar Óscares, palmas de ouro em Cannes ou leões de ouro em Veneza. O cinema é, de facto, uma arte e, como tal, uma forma de expressão. Uma forma de expressão que se destina, no limite, não a elevar à enésima potência os ditames plásticos e estéticos mas, tão somente, a divertir, a encantar, a comover, em suma, a instigar sentimentos e estados de espírito no espectador. E é o caso destes dois trabalhos.
Uma boa mulher, realizado por Mike Barker em 2004, é uma comédia romântica que decorre no início dos anos 30, algures na Riviera italiana. Resulta da adaptação ao cinema da peça de Oscar Wilde, O leque de Lady Windermere (Lady Windermere's fan).
O elenco conta com Helen Hunt, Scarlett Johansson e Tom Wilkinson nos principais papéis.
Do lado dos "contras" ficam os desempenhos de Helen Hunt - muito aquém das suas possibilidades e do que a personagem merecia - e de Scarlett Johansson - que ainda alguém um dia me explicará como é que foi parar ao cinema.
Do lado dos "prós" destaco a fotografia, o guarda-roupa e o desempenho irrepreensível de Tom Wilkinson. Este actor, pura e simplesmente, não sabe representar mal.
A merecer ficar na memória estão também algumas pérolas/clichés de diálogo à Oscar Wilde, por vezes um pouco maltratadas por se processarem de forma apressada e atabalhoada.
Mentiras sinceras, realizado por Julian Fellowes em 2005, é um drama sustentado por um triângulo amoroso, com uma história de fazer chorar as pedras da calçada. Trata-se de um argumento que explora de forma crua as complexidades do relacionamento entre duas pessoas, as diferenças entre o amor na sua perspectiva mais carnal e na sua forma mais platónica e genuinamente desinteressada.
Os principais papéis estão a cargo de Tom Wilkinson (sim... o mesmo do filme anterior), Emily Watson e Rupert Everett.
Há quem tenha gostado e há quem tenha odiado. Eu por mim... recomendo!
O tê-lo feito deu-me, aliás, a oportunidade de lembrar igualmente o quanto a generalidade dos críticos de cinema me tem sido útil ao longo da vida: Quanto mais eles detestam, mais eu gosto; e vice-versa.
Estes foram dois filmes bastante sovados pela crítica mas que eu não me canso de recomendar.
Tenho para mim que muita crítica de cinema resulta da verborreia pseudo-intelectual de uns quantos "iluminados", que entendem o cinema como algo de transcendente e os filmes como projectos que têm obrigatoriamente de ser produzidos e realizados com o fito único de ganhar Óscares, palmas de ouro em Cannes ou leões de ouro em Veneza. O cinema é, de facto, uma arte e, como tal, uma forma de expressão. Uma forma de expressão que se destina, no limite, não a elevar à enésima potência os ditames plásticos e estéticos mas, tão somente, a divertir, a encantar, a comover, em suma, a instigar sentimentos e estados de espírito no espectador. E é o caso destes dois trabalhos.
Uma boa mulher, realizado por Mike Barker em 2004, é uma comédia romântica que decorre no início dos anos 30, algures na Riviera italiana. Resulta da adaptação ao cinema da peça de Oscar Wilde, O leque de Lady Windermere (Lady Windermere's fan).O elenco conta com Helen Hunt, Scarlett Johansson e Tom Wilkinson nos principais papéis.
Do lado dos "contras" ficam os desempenhos de Helen Hunt - muito aquém das suas possibilidades e do que a personagem merecia - e de Scarlett Johansson - que ainda alguém um dia me explicará como é que foi parar ao cinema.
Do lado dos "prós" destaco a fotografia, o guarda-roupa e o desempenho irrepreensível de Tom Wilkinson. Este actor, pura e simplesmente, não sabe representar mal.A merecer ficar na memória estão também algumas pérolas/clichés de diálogo à Oscar Wilde, por vezes um pouco maltratadas por se processarem de forma apressada e atabalhoada.
Mentiras sinceras, realizado por Julian Fellowes em 2005, é um drama sustentado por um triângulo amoroso, com uma história de fazer chorar as pedras da calçada. Trata-se de um argumento que explora de forma crua as complexidades do relacionamento entre duas pessoas, as diferenças entre o amor na sua perspectiva mais carnal e na sua forma mais platónica e genuinamente desinteressada.Os principais papéis estão a cargo de Tom Wilkinson (sim... o mesmo do filme anterior), Emily Watson e Rupert Everett.
Há quem tenha gostado e há quem tenha odiado. Eu por mim... recomendo!
07 outubro 2006
Azedume
Uma bela passeata I
Teve ontem lugar mais uma épica jornada empreendida pelo grupo excursionista "Os Pastelões de Belém".
A aventura foi, como não podia deixar de ser, superiormente liderada pelo grande mestre da orientação pedestre J. F.. Este ilustre caminheiro não cessa de surpreender. Vejam lá que ele até sabe quando é que determinado caminho está encerrado só porque a dona do terreno está com os azeites e iça a placa de "propriedade privada". Tem tudo apontadinho numa agenda, até os dias em que o gado bravo anda à solta e que o Ti Gervásio, que é curto de vista, sai de manhã para a caça, largando cartuxadas a tudo o que mexe. Enfim... um espanto!
A caravana era assim constituida por cinco bravos elementos que, em cerca de sete horas, parando em todas as estações e apeadeiros, (com direito a observações de carácter ornitológico e dissecação visual de um pequeno coelho bravo), com 2 escalas para a bucha e assistência médico-medicamentosa, calcorrearam 21 kms entre a Serra do Louro e a Serra de S. Francisco, na região de Palmela, no Parque Natural da Arrábida.
Embora o signatário já tivesse percorrido aquelas paragens em três ou quatro ocasiões anteriores, este percurso é sempre muito bonito de se fazer pela grande multiplicidade de motivos de interesse: As vistas panorâmicas para norte (até Lisboa) e para sul (Tróia e areais brancos que se espreguiçam em meia-lua até Sines) são de fazer perder o fôlego; os moinhos de vento; os sítios arqueológicos; a flora estonteante na sua diversidade onde, sobre os pequenos pontilhados de côr dados por mirtilhos, amoras silvestres, medronhos, arrudas, bocas-de-lobo e lírios, reina implacavelmente o verde esplendoroso dos pinheiros mansos que, como ontem alguém dizia, polvilham as encostas como pompons.
Depois há sempre algo mais a reter destas passeatas: o que diz respeito ao aspecto humano. São as amizades que se estreitam e consolidam, as cumplicidades que se criam e o espírito de solidariedade e entreajuda que se fortalece.
Enfim... embora os meus pés gemam que não, amanhã estava lá outra vez.
Para quem ficar interessado em conhecer mas não tenha quem conheça os trilhos, fiquem a saber que existem passeios organizados. Deixo-vos com quatro sugestões: Uma, duas, três e quatro.
PS: Esta é uma piada particular só para os intervenientes no passeio:
Já alguma vez tinham feito um percurso com direito à descoberta de que uma mesa para merendas deverá ser, afinal de contas, um altar de rituais ligados a questões de fertilidade?
E com igual à vontade pergunto, se alguma vez na vida tinham imaginado vir a assistir à cena absolutamente surreal de ver um troll da mitologia escandinava, sair do interior de uma capela cristã de meados do século XVIII, embrulhado numa toalha turca?
Nunca, jamais em tempo algum!
A aventura foi, como não podia deixar de ser, superiormente liderada pelo grande mestre da orientação pedestre J. F.. Este ilustre caminheiro não cessa de surpreender. Vejam lá que ele até sabe quando é que determinado caminho está encerrado só porque a dona do terreno está com os azeites e iça a placa de "propriedade privada". Tem tudo apontadinho numa agenda, até os dias em que o gado bravo anda à solta e que o Ti Gervásio, que é curto de vista, sai de manhã para a caça, largando cartuxadas a tudo o que mexe. Enfim... um espanto!
A caravana era assim constituida por cinco bravos elementos que, em cerca de sete horas, parando em todas as estações e apeadeiros, (com direito a observações de carácter ornitológico e dissecação visual de um pequeno coelho bravo), com 2 escalas para a bucha e assistência médico-medicamentosa, calcorrearam 21 kms entre a Serra do Louro e a Serra de S. Francisco, na região de Palmela, no Parque Natural da Arrábida.
Embora o signatário já tivesse percorrido aquelas paragens em três ou quatro ocasiões anteriores, este percurso é sempre muito bonito de se fazer pela grande multiplicidade de motivos de interesse: As vistas panorâmicas para norte (até Lisboa) e para sul (Tróia e areais brancos que se espreguiçam em meia-lua até Sines) são de fazer perder o fôlego; os moinhos de vento; os sítios arqueológicos; a flora estonteante na sua diversidade onde, sobre os pequenos pontilhados de côr dados por mirtilhos, amoras silvestres, medronhos, arrudas, bocas-de-lobo e lírios, reina implacavelmente o verde esplendoroso dos pinheiros mansos que, como ontem alguém dizia, polvilham as encostas como pompons.
Depois há sempre algo mais a reter destas passeatas: o que diz respeito ao aspecto humano. São as amizades que se estreitam e consolidam, as cumplicidades que se criam e o espírito de solidariedade e entreajuda que se fortalece.
Enfim... embora os meus pés gemam que não, amanhã estava lá outra vez.
Para quem ficar interessado em conhecer mas não tenha quem conheça os trilhos, fiquem a saber que existem passeios organizados. Deixo-vos com quatro sugestões: Uma, duas, três e quatro.
PS: Esta é uma piada particular só para os intervenientes no passeio:
Já alguma vez tinham feito um percurso com direito à descoberta de que uma mesa para merendas deverá ser, afinal de contas, um altar de rituais ligados a questões de fertilidade?
E com igual à vontade pergunto, se alguma vez na vida tinham imaginado vir a assistir à cena absolutamente surreal de ver um troll da mitologia escandinava, sair do interior de uma capela cristã de meados do século XVIII, embrulhado numa toalha turca?
Nunca, jamais em tempo algum!
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