24 julho 2010

BSO V




Now we are free
Hans Zimmer
The Gladiator - O Gladiador

18 julho 2010

Um sms que não o chegou a ser

(Escrito na presunção de que será apagado sem ser lido e abusando do facto de te saber sem telemóvel)
Pinchos, cañas e tortilhas: disparate nutricional de um Sábado às 23,30.
As mulheres passam, bonitas. Sorrio... sorriem-me de volta. Passo do sorriso ao riso num piscar de olhos. Se elas conhecessem o brilho do teu sorriso...
Do outro lado do vidro a gula experimenta nova investida, na garupa de uma luz branca intermitente: "Häagen-Dazs - O crepe sai à rua". Não provei mas aposto que seriam coisa insonsa se comparados com os teus.
Deixaste a fasquia demasiado elevada. Sorte e azar os meus!
Sei que não devo - sei que não posso - mas não consigo deixar de sentir saudades tuas.

13 julho 2010

Virar costas

Meter-me no carro... auto-estrada... vidros abertos... vento na cara.


The Reason
Hoobastank

Tristeza

Hoje parece que alguém me roubou a alma. E provavelmente roubou...


Free Love
Depeche Mode

12 julho 2010

Oscar, em fundo azul celeste.

E quem foi que disse que espreguiçar é feio?
Uma espreguiçadela matinal, sentados num banco de jardim, dobrando as costas para trás na madeira empoeirada e levantando os olhos para um céu azul celeste onde farrapos de algodão branco passam céleres, ao compasso acelerado de uma manhã de segunda-feira, fintando os galhos de um damasqueiro pejado de fruta madura e folhas de verde viçoso.
Lembrei-me de uma frase de Oscar Wilde, transcrita num postal que uma amiga me trouxe de Londres, depois de uma visita à National Portrait Gallery.
- Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão a olhar para as estrelas.
Hoje terminei mais um curso livre - Filosofia para Crianças.
Um homem entre catorze mulheres, um velho bardo entre belas corujas de Athena, mas todos crianças.
A Filosofia é magnífica quando abordada numa perspectiva de questionamento constante, de desafio dos nossos limites conceptuais. Damos por nós maravilhados com a novidade, com o descobrir e redescobrir do nosso pensar, sentir... ser.
Filosofia para Crianças podia muito bem ser Filosofia para Todos.
Mas o que sei eu? Sou apenas águas de Março.


Águas de Março (dedicado a todas as corujas de Athena)
Elis Regina
[Tom Jobim]

26 junho 2010

BSO III





Brown eyed girl
Van Morrison
"Sleeping with the enemy" / "Dormindo com o inimigo" - 1991

21 junho 2010

Uma última dança lenta

Por entre o luar e as sombras, procuraram-se.
Rosmaninho, alecrim e alfazema reclamavam os odores da noite.
Ao longe alguém levantou o volume de um rádio e o silêncio do momento encheu-se de uma das mais belas canções alguma vez escritas: It's all over now, Baby Blue.
O estertor provocado pelo tom ameaçadoramente premonitório das palavras urgiu o enlace entre ambos.
Deram-se as mãos, deram-se os lábios... deram-se os corpos. Não se trocaram garantias de presente nem promessas de futuro.
Junto ao ouvido dela, ele não abriu a boca para uma única das muitas palavras de amor que ela ouviu naquele instante. Assim era sem necessário ser. Assim se falava sem dizer.
Um corrupio de carícias percorreu ambos os corpos, prazeres e sevícias aplicados reciprocamente até onde a latitude de cada um o permitiu.
Encurralados entre o instante fugaz e a possibilidade de serem observados, amaram-se em silêncio.
Suspiro sobre suspiro, arrepio sobre arrepio, construiram um momento de êxtase comum. Dedos cravados na alma entre-puxaram os corpos, a cadência aumentou e cabeças penderam para trás.
Tudo parou: o movimento aparente das estrelas cessou e o céu, cumprindo a canção, dobrou-se sobre ambos, naquilo que foi, tanto e tão pouco, um princípio e um fim.


It's all over now, baby blue
Bella Wagner
(Original de Bob Dylan)

19 junho 2010

BSO II



Play Dead
Bjork / David Arnold
BSO "The Young Americans" - 1993

17 junho 2010

Final de ano lectivo / Final de ciclo

O meu David terminou a 4ª Classe ou, como agora se diz, o 1º Ciclo do Ensino Básico.
Hoje houve festa de despedida do ano lectivo na escola. Fez-se um pequeno lanche de confraternização e a miudagem preparou uma peça de teatro para nos oferecer.
Uns mais dados às artes do palco, outros menos, mas todos cheios de um empenhamento a perder de vista, desenrolaram a história do Palácio de Queluz e das suas figuras e figurões. Houve de tudo, personagens históricos e personagens inventados. Lá andavam D. Maria, D. João VI, D. Carlota Joaquina, as filhas todas, um rol de personagens imaginados pelos próprios alunos, todos com direito a cognome. Só faltou um Marquês de Marialva para perseguir a Rainha pelos jardins do Palácio (se bem que eu ache que a coisa era mais o inverso. Mas adiante...).
O meu pirralho apresentou-se ao público como sendo D. David, o Risotas. O cognome, escolhido por ele próprio, terá de certeza razão de ser pois quando se apresentou, o remanescente da Corte disparou numa gargalhada generalizada. E lá continuou D. David afirmando que vivera no Palácio de Queluz durante o séc. XIX, morrendo sem deixar amigos nem descendência.
Sem deixar amigos nem descendência??? Mas quem raio terá sugerido isto ao miúdo? - pensei eu imediatamente.
Apresentada toda a Corte e terminada a peça, os pequenotes ofereceram aos pais uma versão muito bem ensaiada do tema que abaixo vos deixo.
Findas as formalidades, chamei D. David, o Risotas, à parte e perguntei-lhe de quem fora a ideia do sem deixar amigos nem descendência, ao que me respondeu:
- Foi minha! Foi para dar a ideia de que nem tudo são risotas.
Não há nada que valha mais do que o amor incondicional de uma criança nem algo de tão admirável quanto qualquer um dos seus raciocínios cristalinos.
Meu filho: não consigo adivinhar o quanto gostas de mim, embora tenhas cantado que "é desde aqui até à Lua". O meu amor por ti não cabe na minha capacidade de expressão, mas monta a galope cada batida do meu coração.


Adivinha quanto gosto de ti
André Sardet

15 junho 2010

Sons (para terminar a noite em beleza...)



Sopro do coração
Clã

O dia em que S. Lourenço chorou.

Como não sabia sobre o que escrever  fui aconselhado ao telefone (bj grande, Ré) a escrever sobre essa mesma ausência de vontade. Achei que este meu repositório de memórias merecia algo menos estéril. Mas onde procurar inspiração quando as musas não nos acodem?
Em processo retrospectivo fui rebobinando estas minhas últimas horas e não é que?...
Estive ao fogão a fazer a janta. Um bife do acém, modesto - desemprego oblige - e um panelão cheio de legumes cozidos. Cenoura, feijão verde, bróculos e uma courgete.
Enquanto fui depositando os legumes no tacho consoante os diversos tempos de cozedura, (gosto de tudo al dente), mantive uma acesa conversa com o meu São Lourenço que reside sobre a aba do extractor de fumos.
São Lourenço era Espanhol (das poucas coisas boas oriundas de Espanha - entre o presunto, as espanholas e... não me consigo lembrar de mais nada). Viveu no século III e foi um dos primeiros diáconos da Igreja Católica. Era o responsável pelo tesouro e pela distribuição das esmolas. Em 257 o Imperador Valeriano, com Roma tão tesa quanto o Portugal de hoje, decretou a apreensão dos bens da Igreja. O Papa Sisto II recusou e, em consequência, foi decapitado. A caminho do cadafalso, Lourenço ter-se-á aproximado do Papa e dito:
- Onde vai meu pai sem seu diácono?
Ao que Sisto II terá respondido:
- Não penses que te abandono, meu filho. Dentro de três dias voltarei a estar na tua presença!
Valeriano ordenou a Lourenço que, no prazo de três dias, procedesse à entrega de todas riquezas da Igreja. Durante esse período Lourenço distribuiu todo o dinheiro existente pelos pobres de Roma. No dia indicado compareceu perante o Imperador e, acompanhado por todos estes pobres, proferiu a seguinte a frase:
- Eis Senhor, a riqueza da Igreja!
Valeriano condenou-o a ser morto pelo fogo, mais exactamente sobre uma grelha. Consta que, durante o suplício, Lourenço terá dito aos seus carrascos:
- Podem virar-me para o outro lado porque deste já estou bem passado!
E por que carga de água tenho eu um São Lourenço sobre o fogão?
Porque devido ao episódio da grelha, São Lourenço foi, desde então, adoptado como Santo padroeiro dos cozinheiros.
Pensavam o quê? Que a conversa não ia dar em nada? Que era só um devaneio motivado pelo rum? Hein?
Trocávamos nós alegres impressões sobre o facto de a carne já não ser o que era, de os legumes terem perdido grande parte do seu sabor característico, quando lhe perguntei;
- Lourenço... sabes do que é que eu não gosto mesmo? É de fazer comer só para mim.
Tenho saudades de fazer comer para muitos, de tentar satisfazer todos os gostos, de me zangar quando os desafios culinários dão mal resultado...
Gostaste de repartir as riquezas pelos indigentes? Gostaste de servir aqueles que amavas? Também eu gostava de poder fazer o mesmo.
Não sei se foi do rum mas juro-vos que São Lourenço chorou... E eu chorei com ele...

Parece mal...

Parece mal mas sabe tão bem...
Tal como o acto de espreguiçar...
Hoje a nossa apetência bloguística encontra-se algo perturbada por uma quantidade absurda de rum, lima, açúcar, hortelã e gelo. Ou seja: foi, é e será dia de Mojitos.
Não até que a morte nos separe mas, pelo menos, até já não ser capaz de fazer o próximo.
Só um momento... vou fazer outro!
Vão-se entretendo com este som...
Partilhem este meu estado de alma... ou não.


Away From the Sun
3 Doors Down

Volto já!...

14 junho 2010

Sons


Black Hole Sun
Soundgarden

Krishnamurti

I maintain that Truth is a pathless land, and you cannot approach it by any path whatsoever, by any religion, by any sect. That is my point of view, and I adhere to that absolutely and unconditionally. Truth, being limitless, unconditioned, unapproachable by any path whatsoever, cannot be organized; nor should any organization be formed to lead or to coerce people along any particular path. If you first understand that, then you will see how impossible it is to organize a belief. A belief is purely an individual matter, and you cannot and must not organize it. If you do, it becomes dead, crystallized; it becomes a creed, a sect, a religion, to be imposed on others. This is what everyone throughout the world is attempting to do. Truth is narrowed down and made a plaything for those who are weak, for those who are only momentarily discontented. Truth cannot be brought down, rather the individual must make the effort to ascend to it. You cannot bring the mountain-top to the valley. If you would attain to the mountain-top you must pass through the valley, climb the steeps, unafraid of the dangerous precipices.
AQUI

12 junho 2010

Desabafo

Como reza uma certa canção: I'm sick and tired of always being sick and tired!
Não há paciência nem entusiasmo para o que quer que seja. Estou farto desta merda toda!
O que querem mais de mim? Já não chega? É preciso chegar a que ponto?
(Agradeço que não comentem!!!)

BSO I


Forbidden Colours
David Sylvian / Ryuichi Sakamoto
"Merry Christmas Mr. Lawrence" / "Feliz Natal Mr. Lawrence" - 1983
 

is where my documents live!