05 março 2010

Gotas de água numa tarde de Verão

Foi assim, num piscar de olhos, que te vi pela primeira vez.
Estávamos no final de uma tarde sensaborona, uma tarde como tantas outras não fora o vislumbre da tua pessoa.
Combatias a calçada à força de mangueira num afã compenetrado. Desta feita era Dulcineia quem investia contra os gigantes feitos paralelepípedos, os quais, ainda que constrangidos pela imobilidade, ripostavam freneticamente, devolvendo cascatas de água que te molhavam o fato de treino.
A batalha continuou, acesa. À brancura da pedra sucedia-se o negrume do algodão encharcado. Onde outrora apenas se deixava adivinhar um par de seios firmes acrescentavam-se agora dois mamilos decididos.
O teu corpo, encharcado, era coroado por uma cara impenetrável. Olhar enigmático, penteado desalinhado...
Os teus pés teimavam em escorregar nas chinelas de borracha, merecendo, de quando em quando, sérias reprimendas. Inaudíveis, à distância a que me encontrava de ti, mas que me fizeram rir... primeiro de ti... depois para ti.
Não me viste... nem foi preciso.
Os laivos de vermelho e violeta que riscavam o céu, anunciavam não apenas mais um crepúsculo estival, mas também que, num dia não muito distante, seriamos um do outro.

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