15 setembro 2005

"Esta é a ditosa pátria minha amada?"

A propósito de um texto de opinião, da autoria de António J. Branco.
O texto está publicado online no "Diário Digital" - (http://diariodigital.sapo.pt) um site que, diga-se de passagem, visito em dias de auto-flagelação.
É verdade! Bastam-me cinco minutos de leitura de um qualquer texto do Sr. Luís Delgado para ver expiados todos os meus pecados de, pelo menos, uma semana. Dois dedos de leitura e... aí vão eles (os pecados, claro) quais bodes expulsos à ripada nos quartos traseiros, como manda a boa tradição judaica.
O texto de António Branco, (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=2&id_news=192126) contudo, é muito bom e de uma oportunidade que, infelizmente, persiste há séculos: O desprezo - em alguns casos - e a indiferença - noutros - que sucessivas gerações vêm dispensando à sua Pátria, quer no que de mais material isso possa representar, quer no que respeita, tão somente, ao seu próprio conceito.
O autor adoptou como definição de Pátria, aquela de um seu antigo professor de História: Pátria, é Terra de Antepassados.
Há uns anos atrás - não me lembro sequer a que propósito - dei comigo a pensar sobre este mesmo assunto. Se tivesse que encontrar uma palavra que, para mim, melhor descrevesse o conceito de Pátria, qual seria?
Não digo que tivesse ficado inteiramente satisfeito com o resultado mas, aquela que melhor me soou, foi a palavra Herança.
Não vou alongar-me sobre o que são para mim as diversas vertentes desta nossa (ainda rica) herança... talvez noutra oportunidade em que para aí esteja virado. O que me vai na alma é a azia de ver a nossa herança continuar a ser vilipendiada por essa horda de hipócritas que são aqueles que, sucessivamente, nos (des)governam.
Todos nós sabemos que as heranças trazem consigo activos e passivos. Não obstante, parece-me que o mais básico dos raciocínios manda que se resolvam as dívidas e que se tente deixar aos nossos filhos um património maior/melhor do que o que nos deixaram os nossos antepassados.
Ainda hoje, em conversa de hora de almoço, dizia eu aos restantes convivas que, tal como reza o fado, o destino só destina quem já nasce conformado. Mas é obscena e muito frustrante a impotência com que somos obrigados a deglutir a chusma de disparates e verdadeiros atentados produzidos por estas hordas de bandidos com chancela popular. Para eles, não tenho qualquer espécie de dúvida, Pátria é... as suas próprias pessoas!
Por amor de Deus... Tragam-me Hunos e Vândalos! Ao lado destes espécimens, seriam pálidos meninos de catequesse.
E depois custa... custa muito ir observando a rapaziada que vai, cantando e rindo, como se nada fosse consigo.
Quando lhes é dada a possibilidade de mudança - aquela de que o mundo é composto, lembram-se? - aqui d'El Rei, venha de lá essa alternância democrática.
Pena é, e com esta me fico, que na ditosa Pátria nossa amada, a alternância democrática não seja mais do que uma mera variação entre o pontapé-no-cú e a joelhada-na-virilha.

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