19 abril 2010
18 abril 2010
Citações
Pedro Tadeu
in Diário de Notícias
Ora tomem lá este exemplo e ganhem vergonha nessas caras. Corja de sanguessugas...
17 abril 2010
Afinal elas já nascem assim.
Mostrei este post à minha vizinha de baixo que me respondeu:
Caminhada na Arrábida
Vamos deixar secar o terreno.
O ponto de encontro é no terminal de autocarros em Palmela, por volta das 22 horas.
Nada de baldas!...
16 abril 2010
Laivos de claridade
E por que não mesmo uma idiotice?
Todas as pessoas apaixonadas agem por vezes de forma idiota e pensam, não menos vezes, de forma igualmente idiota. Não obstante estão-se nas tintas, descendo voluntariamente a limites onde nunca haviam pensado chegar, pondo em causa o seu amor-próprio ou mesmo a sua dignidade.
Não importa. Nada importa.
Chegando a uma certa idade e a um determinado grau de consciência de quão precioso e raro é tal sentimento, é extraordinário aquilo que estamos dispostos a fazer pela mera possibilidade de amor.
Não é fácil de alimentar, de suster. Mas fosse ele fácil de encontrar e perderia todo o seu preciosismo.
Nunca é tarde... mas por vezes sentimo-nos invadidos pela sensação de que é já tarde demais.
Um dos meus favoritos
Não tendo nada de nada para fazer, para mal dos meus pecados, revi as mais de três horas de um dos meus filmes favoritos: Magnolia, de Paul Thomas Anderson.
A puta da vida não é fácil. Mas também não foi feita para isso!
Não foi muito boa ideia...
Fica a Aimee Mann com o seu Wise up à laia de homenagem ao filme.
14 abril 2010
Seminário de Cultura Material
Terei o maior prazer em contar com a vossa presença.
Vd- AQUI
13 abril 2010
11 abril 2010
Sortelha
Eu prometo colocar no blog algumas fotos das muitas idas a Sortelha para melhor perceberem o património cultural e natural posto em causa por esta verdadeira barbaridade.Nem mais nem ontem...
10 abril 2010
Bonsais I
08 abril 2010
Errático
O email com o trabalho seguiu dois minutos depois da meia-noite. Se não houvesse qualquer coisita de atraso, a entrega do trabalho seria atípica. Então não é de "tuga" atrasar tudo? E o que dizer do "quarto-de-hora" académico? E o chegar atrasado a encontros e a reuniões? E até ao casamento. Não é costume as noivas chegarem atrasadas à igreja ou à Conservatória do Registo Civil? Coitadas... São coisas como esta que dificilmente se perdoam às mulheres. Deus concedeu-lhes a possibilidade (que não deu aos homens) de poder usufruir de um tempo extra para caírem em si e se deixarem estar bem. Mas não! Insistem em subir ao altar. Irra!
"Altar é local de sacrifício" e esse é um facto inquestionável.
Mas adiante...
Eufórico - não sei se por ter acabado o trabalho se por força do JB green label - comecei logo a divagar sobre o "como" e o "onde" ir gastar o dinheirito que está para vir. O que foi? Querem ver que também não é tipicamente "tuga"? Antes de vir já está destinado e dane-se quem achar que a coisa assim é mal congeminada.
Surfando a net fiquei como o Toni, nas "Conversas da Treta":
- Hesito!
Cabo Verde, Rep. Dominicana, Jamaica, México ou Açores?
Por esta altura estarão a pensar: férias de teso. É verdade. Mas afinal de contas eu SOU TESO e acabei de fazer um pequeno trabalho. Não assaltei Fort Knox.
Em função do orçamento, toca a estabelecer critérios de preferência e de exclusão:
- Cabo Verde? Estive o ano passado na Ilha da Boavista. Vou já de seguida para C. Verde? Nops!
- Rep. Dominicana? Já fui. Mas aquela água... Meu Deus, aquela água...
- Jamaica? Um sonho antigo. E por que não?
- México? Tenho um preconceito latente que fará com que ainda não seja desta...
- Açores? Nunca fui. É daquelas coisas que "É já ali! Vou em qualquer altura.". Entretanto dá-nos o treco lareco e acabamos por nunca lá pôr os pés. Não sei... hesito...
Porra! Tenho as torradas a fazer e já me cheira a José Sócrates em dia de exame de Inglês.
Depois logo vos direi como ficou esta minha deambulação mental. Provavelmente será, como quase sempre, atropelada pela velocidade estonteante das contas para pagar...
Vou mas é comer.
Sayonara!
PS: espero que tenham percebido o tom desprendido deste post. Claro que era bom que pudesse ser assim.
07 abril 2010
Onde é que eu já vi/ouvi isto???
Enviado por um leitor deste blog. Tal como com o deputado, não fui autorizado a referir o respectivo nome.
Passeio na Arrábida
Dia 17 de Abril, passeio nocturno na Arrábida.
Pormenores brevemente disponíveis aqui
(Re) Leituras
(...) Em toda a parte a sociedade conspira contra a virilidade de cada um dos seus membros. É uma empresa de capital social cujos membros se põem de acordo para retirar liberdade e cultura àquele que come, a fim de melhor garantirem o pão quotidiano dos seus accionistas. A virtude mais estimada é o conformismo. A sociedade só sente aversão pela autoconfiança. Não gosta de realidades nem de criadores, mas de nomes e costumes.
"A Confiança em Si" (1841) in
A Confiança em Si, A Natureza e outros ensaios
Ralph Waldo Emerson
06 abril 2010
Mais logo...
Estávamos em plena laboração - os prazos são para respeitar (excepto pelos empreiteiros de obras públicas) - mas chegou aquela altura em que os olhos se turvam, a boca seca e um espasmo latente ameaça estourar algures entre o cóccix e a cervical.
Recostámo-nos na cadeira a ouvir Sheryl Crow e a pensar na família, nos amigos; nessa intrincada teia que é a vida e neste tosco tecer que é o nosso.
Mais logo vamos "bater à porta" de uns quantos e dizer-lhes que temos saudades deles.
A nossa vida não tem que se resumir à possibilidade da surpresa. Tem que se alindar à capacidade de surpreender.
Uma pequena centelha de felicidade terá sempre a incrível capacidade de fazer deflagrar o maior dos incêndios no coração de um ser humano.
Uma pequena centelha de felicidade será sempre como uma brisa fresca de final de tarde, sussurrando o prenúncio de algo diferente.
Para ti...
I took my love and I took it down
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow-covered hills
'till the landslide brought me down
Oh, mirror in the sky, what is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail through the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?
I don't know.....I don't know...
Well I've been afraid of changin'
'cause I've built my life around you
But time makes you bolder; children get older
I'm getting older too....
So, take this love...take it down.
Oh, if you climb a mountain and you turn around
If you see my reflection in the snow-covered hills
Well the landslide will bring you down;
The landslide will bring you down...
05 abril 2010
04 abril 2010
03 abril 2010
A malta fala
A mim sempre me fez alguma confusão falar de outrem na sua ausência. A maioria das vezes não há sequer qualquer razão para que tal aconteça. Mas isso é bom até porque nos mantém alerta para a necessidade de guardar uma atenção constante ao que dizemos sobre os outros.
Tenho por regra não proferir o que quer que seja sobre outra pessoa, que não fosse capaz de lhe dizer pessoalmente.
Embora nem sempre com o mesmo sucesso, tento colocar a mesma reserva relativamente ao que me é dado a ouvir. A minha avó gostava muito de se referir a estas situações como conversa de emprenhar pelos ouvidos.
Nesta época de Quaresmas, dietas e o Diabo a quatro, que tal se nos abstivéssemos de falar (nem precisa de ser mal) gratuitamente sobre os outros? Que tal se refreássemos o nosso hábito, useiro e vezeiro, de falar só por falar, como se não houvesse nada mais importante no mundo sobre o que conversar ou se não tivéssemos nada de verdadeiramente significativo para dizer aos outros.
Recuso-me a acreditar que o problema seja esse. É impossível que as pessoas sejam assim tão limitadas.
Haverá concerteza muita gente a quem não temos dito vezes suficientes o quanto gostamos delas, familiares e amigos, tantas vezes distantes, a quem poderiamos telefonar para dizer "estou aqui e não me esqueço de ti".
As palavras são demasiado preciosas para serem desperdiçadas. E pior do que o serem em vão é o serem-no com consequências negativas e desnecessárias.
Vamos todos fazer um pequeno exercício de contenção: no cabrito, no folar, nas amêndoas, mas, e sobretudo, no uso que fazemos das palavras.
Eu vou tentar!
02 abril 2010
O anúncio do fim
Ficamos reconhecidos pelas reclamações do nosso enormíssimo exército de seguidores(as)...
01 abril 2010
O anúncio do fim
Depois de muito meditar sobre o assunto, cheguei à conclusão de que já não há pachorra para manter este blog.
Assim, e para que o dito cujo não fique para aqui em limbo, o blog será inexoravelmente APAGADO.
Obrigado pela atenção que foram dispesando a estas linhas ao longo de uns anitos.
Bjs e abraços.
Pirolito
31 março 2010
Páscoa
- Ora, Páscoa é ...... bem... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal ?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se
o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me
engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Maria, vem cá!
- Sim?
- Explica lá ao puto o que é ressurreição
para eu poder ler o meu jornal descansado.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a
viver após ter morrido. Foi o que aconteceu
com Jesus, três dias depois de ter sido
crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus.
Entendido?
- Mais ou menos ... Mãe, Jesus era um coelho?
- Que parvoíce é essa? Estás-te a passar!
Coelho? Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece
que foste baptizado! Jorge, este menino não pode
crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos
domingos. Até parece que não lhe demos uma
educação cristã! Já pensaste se ele diz uma
asneira destas na escola? Deus me perdoe!
Amanhã vou matricular esta criança na catequese!
- Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?
- É filho! Jesus e Deus são a mesma coisa.
Vais estudar isso na catequese. É a Trindade.
Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Fátima?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?
- Não é o Banco Espírito Santo que fica na
Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus.
É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende
muito bem, para falar a verdade nem ninguém,
nem quem inventou esta asneira a compreende.
Mas se perguntares à catequista ela explica
muito bem!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- (Aos gritos no meio da casa) Eu sei lá! É uma
tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de
presentes, ele traz ovinhos.
- O coelho põe ovos?
- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu
não aguento mais!
- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então peru .
- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro,
não é? Em que dia é que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- Gaita!!!! Sabes que eu nunca pensei nisso?
Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira
santa e ressuscitou três dias depois, no sábado
de aleluia.
- Um dia depois portanto!
- (Aos berros) Não, filho - três dias!
- Então morreu na quarta-feira.
- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou
terá sido na quarta-feira de cinzas? Ouve, já
me baralhaste todo! Morreu na sexta-feira e
ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como!?!? Como!?!?
- Pergunta à tua professora da catequese!
- Pai, então por que amarraram um monte
de bonecos de pano na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia
vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o
apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não lhe batem no dia certo?
- É, boa pergunta.
- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite que o
nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim
esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido,
não achas?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da tua professora da catequese !!!
30 março 2010
Marguerita
A estrada serpenteia por entre a arriba fóssil. Na descida em causa, o mar e a linha de horizonte ficam confinados entre o vermelho da duna consolidada e o pardo das areias soltas, tendo o céu como única fuga possível, numa espécie de pirâmide invertida a lembrar um copo de marguerita.
Beberia o momento e o efeito não seria menos inebriante.
29 março 2010
Doca de Belém
Alvorecer cinzento, nuvens baixas apressadas por um vento gélido.
A ponte fervilha de pequenos pontos em movimento.
Um cacilheiro vence, a custo, um Tejo que fervilha, como que a querer entrar em ebulição.
Na doca, o desacerto do movimento dos mastros pauta-se por um aceno de sentido único que me diz: não!
A hora mudou este fim-de-semana (porque não mudei eu?). É por isso que ainda está tão escuro (e assim estou também eu).
Como num sonho confuso, gaivotas cruzam os ares em rumos de secretos propósitos ou, porventura, voando apenas porque existem para o fazer, porque é essa a sua natureza.
Será que tudo na vida tem mesmo que obedecer a um plano pré determinado?
Não existe lugar para coincidências?
Tanto racionalismo esmaga-me!
Um dia decido concretizar algumas (senão todas) das coisas que, tenho a certeza, me iriam dar um gozo quase (senão mesmo) animal. Coisas que não fiz porque o bom-senso e a urbanidade assim o determinam. Coisas que fogem à norma, à Lei e a todas as regras que, muitas vezes estupidamente, formatam e castram a nossa existência.
Fico-me por aqui.
Como diz a sabedoria popular: "Cão que ladra não morde!"... e este ladrar já vai longo!
26 março 2010
Leituras
O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, 1940.
(1ª Ed., 2ª Imp. - Cavalo de Ferro Editores, Lda., 2006).
Este romance foi considerado "melhor livro do ano - 2005" pelo Público/Mil Folhas; Expresso/Actual; Revista Sábado; e Revista Visão.
O denominador comum para tamanhos elogios é a existência de uma metáfora "ambígua e aberta", que, supostamente, suscita questões existenciais, permitindo ao leitor rever a sua própria experiência de vida na de um jovem Oficial italiano que exaure toda a sua existência à espera de um inimigo que não chega e na contemplação de um deserto longamente inconsequente.
Percebemos os dilemas e as resignações que se colocam de forma permanente ao principal personagem da obra mas não nos conseguimos rever em tal experiência de vida.
A nossa existência é mais cheia de desacertos do que de resignações.
Deu um filme (Vd. aqui).
25 março 2010
Sons e algo mais...
To the soul's desires
The body listens
What the flesh requires
Keeps the heart imprisoned
What the spirit seeks
The mind will follow
When the body speaks
All else is hollow
I'm just an angel
Driving blindly
Through this world
I'm just a slave here
At the mercy
Of a girl
Oh I need your tenderness
Oh I need your touch
Oh I dream of one caress
Oh I pray too much
To the soul's desires
The body listens
What the flesh requires
Keeps the heart imprisoned
What the spirit seeks
The mind will follow
When the body speaks
All else is hollow
You keep me waiting
For the promise
That is mine
Please stop debating
Please stop wasting
Your time
Oh I need your tenderness
Oh I need your touch
Oh I dream of one caress
Oh I pray too much
Depeche Mode
When the body speaks
24 março 2010
Do programa cinematográfico de ontem
Muito mau: O filme O Adeus às Armas, de Frank Borzage (1932). Embora o filme estivesse (mal) legendado, ter que gramar a Helen Haye e o Gary Cooper dobrados em Castelhano foi um castigo verdadeiramente dispensável.É certo que o argumento do filme se baseia na obra homónima de Ernest Hemingway (A Farewell to Arms) que viveu muitos anos em Cuba. Mas não era preciso exagerar.
;-)
22 março 2010
A não perder
Exposição e ciclo de cinema e debate Portugal nas Trincheiras - A I Guerra da República.
Programa completo
A exposição, propriamente dita, está patente ao público até 23 de Abril, 3ª-5ª, Dom: 10h00-18h00; 6ª-Sab: 10h00-24h00, no Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres - Museus da Politécnica (Rua da Escola Politécnica, junto aos museus da Ciência e Nacional de História Natural).
Ciclo de cinema e debate no Cinema São Jorge, 22 a 24 de Março.

Foto de Arnaldo Garcez
Graças ao apoio do Exército, da Liga dos Combatentes e de dezenas de particulares que se associaram a esta iniciativa, foi possível reunir um conjunto muito significativo de peças e documentos relativos à presença das tropas portuguesas na frente de guerra europeia. Desde a partida das tropas para a Flandres - em Fevereiro de 1917 -, até à evocação da memória da Guerra através da Arte, a exposição mostrará a preparação das tropas; a forma de fazer a guerra; o quotidiano dos soldados; a Saúde em contexto de guerra; o que foi a Batalha de La Lys; o papel dos Presidentes da República Portuguesa no conflito e como acabou a guerra, em Novembro de 1918, e se chegou ao Tratado de Versalhes de 1919.
Entre os objectos expostos está um pequeno diário de guerra de um soldado oriundo de uma aldeia da Beira Alta contará a experiência da Grande Guerra na 1ª pessoa e em português. Outros documentos, como correspondência enviada pelos soldados para Portugal, peças do quotidiano, como marmitas, colheres e objectos artísticos elaborados pelos soldados a partir de munições, ou objectos menos agradáveis, mas com igual importância histórica, como instrumentos cirúrgicos utilizados pelos médicos do CEP, permitirão ao visitante fazer uma autêntica viagem no tempo. Essa viagem será acompanhada, a par e passo, pela imagem - fotografia e filme -, permitindo evocar o Combatente "anónimo", mas também aquele cujo nome está hoje associado a outros contextos, esquecida que foi a sua condição de combatente da I Guerra Mundial. Serão, assim, entre outros, evocadas as memórias associadas à Grande Guerra de Jaime Cortesão, Anastácio Gonçalves e Hernâni Cidade.
...x...
Exposição Diary Drawings - Mental Illness and Me.
Obras da artista inglesa Bobby Baker.
Fundação Calouste Gulbenkian - Edifício Sede - Zona de Congressos.
Mais informação e imagens a partir daqui.
Divirtam-se com estas (avisamos desde já) poderosíssimas experiências.
21 março 2010
O velho Nicolau
20 março 2010
18 março 2010
Sons
Etta James - I'd Rather Go Blind
Chamem-lhe Oldies, chamem-lhe o que quiserem. Mas hoje já não se "ouve" tanto sentimento, tanta alma, numa canção.
Aliás, Etta James é, para mim, um must have da soul music.
E se a vida pudesse ser uma torrada aparada?
O meu Nicolau, velhote de quatro patas, já há três dias que não se tem nelas. Embora não esteja incontinente não consegue locomover-se, pelo que fica deitado numa poça de urina e fezes. Há que lavá-lo e secá-lo, depois de o encostar a uma qualquer parede, como se fora uma bicicleta.
Bebe da mangueira e, até ontem, comia da minha mão.
É um animal que tem tido uma vida repleta de problemas de saúde não congénitos. Não tem tido muita sorte nesse capítulo.
Em consequência de uma dessas situações, em que espetou uma silva na vista esquerda, perfurou a córnea e desenvolveu um glaucoma. Foi necessário extrair-lhe o olho. Foram tantas as peripécias que, por vezes e carinhosamente, me referia a ele como o meu robodog.
O Nicolau tem treze anos e meio. No final do ano passado tive de eutanasiar a Tara, com doze anos. Cancro no útero e, posteriormente, por todo o lado. Também os animais são merecedores de uma vida com um mínimo de qualidade.
Restam-me o Chaka e a Luca com, respectivamente, doze e seis anos.
Provavelmente, este irmão não durará muitos mais dias. Lá terá que seguir a luz e esperar por outra fase da sua existência.
E é assim a vida: esperando por um pouco de miolo. Começamos a ficar embaçados com tanta côdea!!!
17 março 2010
16 março 2010
Roscas
Ora tomem lá um post vernacular para não se queixarem da minha ausência. Ao menos vão-se rindo (enquanto a vontade não se me volta...).
08 março 2010
Ai a fominha que vem por aí...

Os novos pobres
A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país, fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do BCP que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.
07 março 2010
Mais velhos
Hoje acordámos cheios de vontade de estabelecer novas determinações de vida.
A primeira delas já está ao lume: uma massada de garoupa.
Bon appétit!
05 março 2010
Acessibilidades na Broadway.

ArtsBeat: Making Broadway Accessible for the Disabled
By ERIK PIEPENBURG
Published: March 2, 2010
A Q. & A. about the Theater Development Fund's Accessibility Program, which offers services to disabled theatergoers.
Gotas de água numa tarde de Verão
Estávamos no final de uma tarde sensaborona, uma tarde como tantas outras não fora o vislumbre da tua pessoa.
Combatias a calçada à força de mangueira num afã compenetrado. Desta feita era Dulcineia quem investia contra os gigantes feitos paralelepípedos, os quais, ainda que constrangidos pela imobilidade, ripostavam freneticamente, devolvendo cascatas de água que te molhavam o fato de treino.
A batalha continuou, acesa. À brancura da pedra sucedia-se o negrume do algodão encharcado. Onde outrora apenas se deixava adivinhar um par de seios firmes acrescentavam-se agora dois mamilos decididos.
O teu corpo, encharcado, era coroado por uma cara impenetrável. Olhar enigmático, penteado desalinhado...
Os teus pés teimavam em escorregar nas chinelas de borracha, merecendo, de quando em quando, sérias reprimendas. Inaudíveis, à distância a que me encontrava de ti, mas que me fizeram rir... primeiro de ti... depois para ti.
Não me viste... nem foi preciso.
Os laivos de vermelho e violeta que riscavam o céu, anunciavam não apenas mais um crepúsculo estival, mas também que, num dia não muito distante, seriamos um do outro.
Visitante nº 100.000
03 março 2010
Leituras
Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais "cheiram" a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou.
Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?
Paulo Varela Gomes (Historiador)
In "Cartas do Interior", Público, 27.02.2010.
02 março 2010
01 março 2010
Equívocos
Ah pois tem!
A vida tem destas...
Destas e doutras!
A vida tem destas coisas...
Era isto que eu queria escrever!
Existem encontros que estão condenados a resultar em desencontros; conhecer alguém apenas para ficar sem perceber o porquê de tal facto.
Terá que existir um porquê? Há quem entenda que sim, que tudo tem uma razão para ocorrer.
São estes mistérios, por vezes assombrados, outras vezes assombrosos, que dão à vida o seu colorido, misto de propósitos e despropósitos, de querer, de julgar que se quer mas não quer, de não se perceber o que se quer.
O que ando cá a fazer?
Há muito que me coloco esta questão. O mais céptico em relação às respostas que encontro sou eu próprio.
Provavelmente a resposta não tem que ser demasiado rebuscada e será, tão somente, não ando cá a fazer nada.
Tempos houve em que tal conclusão me deixava bastante transtornado. Ninguém gosta de reflectir sobre a sua existência e acabar com um saco cheio de vento entre as mãos. Olhar-se no espelho e preferir que o dito parasse de reflectir o que não consegue ser mais do que apenas patético. Ninguém quererá estar no mais consigo de si (como diria João Bénard da Costa) e desesperar por sair de si próprio.
Hoje refugio-me no pensamento mesquinho de que, por mais vã, mais "fff" (fútil, frívola e fodida - três palavras a querer significar a mesma coisa) que a vida me pareça, esta realidade vai ter que me aturar. É a minha derradeira maldade. Ponho nessa ideia comezinha toda a importância do mundo, ainda que mais ninguém tenha que o fazer. É a vingança elevada à mais soberba das potências.
É engano? Afinal não é nada disso?
Pode ser!...
Terá sido, então, apenas mais um equívoco.
Sugestão de visita

Este Domingo fui com a criançada ver a exposição "A Aventura da Terra - Um Planeta em Evolução", patente ao público no Museu Nacional de História Natural, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa.
Integrámos a visita dramatizada que ocorre no último Domingo de cada mês.
Embora alguns dos conteúdos sejam demasiado elaborados para crianças com menos de 9/10 anos, o actor (creio que o seja) que veste a pele de Charles Darwin e nos guia através da exposição, encontra-se muitíssimo bem preparado e utiliza um registo que foi capaz de segurar as minhas crianças durante um hora inteirinha. Quem trabalha nestes domínios saberá dar a devida importância a semelhante feito.
A exposição, que recorre a uma museografia muito simples, é bastante eficaz e mostra-nos a história abreviada do nosso planeta e das tipologias mais representativas de espécies que nele habitaram.
Muito, muito interessante. Muito didáctica e, com toda a certeza, duas horas bem passadas.
28 fevereiro 2010
27 fevereiro 2010
Visitante 100.000
Pensamento
Pablo Neruda
Porque a memória também chora
Como fazíamos amor nos cabeços de areia, entremeando a carícia do sol e o arrepio da areia húmida...
As copas dos pinheiros bailando, como que em transe, sob a carícia de um vento sussurrante;
Dois pardais desenhando um vôo espiralado e cúmplice, chilreando alegremente.
O mundo podia acabar ali e a minha vida teria sido perfeita.
26 fevereiro 2010
23 fevereiro 2010
Hard Rock Cafe - Lisboa

Atenção à iniciativa March on Stage: Street to Sanctuary a decorrer, tal como o nome indica, durante o próximo mês.
Trata-se de um projecto que se estende a todo o universo Hard Rock Cafe a nível mundial, tendo por objectivo reunir receitas para um projecto que pretende retirar crianças das ruas de Bombaím, na Índia, onde actualmente se prostituem.
Mesmo que não queiram assistir a concertos (o programa para o Hard Rock Cafe de Lisboa ainda não foi divulgado) ou comprar o pin que estará à venda a partir da próxima 5ª feira, podem sempre comprar uma pulseira de borracha que custa a fortuna de 1 Euro.
E já estão a ajudar...
Pensem nisso!
Programa editorial
A quota de reciprocidade.
22 fevereiro 2010
Eu e as drogas...
O pior foi à saída da ponte. Comecei a ouvir sirenes e pensei: -Isto é do haxixe! Depois foram os pirilampos luminosos e pensei: Erghhhh! Isto deve ser do ácido! Afinal era a ramona em peso atrás do je. Ainda tentei ludibriar a seita com uma faiena à antiga portuguesa que mereceu palmas dos moradores do Pragal mas, como dizia a minha rica avózinha: - Meu lindo menino! Não te metas nas drogas. Os orgasmos dão mais luta!
21 fevereiro 2010
Aterrorizado!
Estava eu em amena faxina às minhas demasiadas (duas) contas de correio electrónico, quando, às tantas, me apercebi da quantidade de convites de amigos e outras pessoas conhecidas, para aderir aos seus respectivos círculos de amigos no Myspaces, Hi5, Facebook, Orkut, Twitter, Ning, "Ping", "Ting" e o "Raio que parting".
De repente assomou-se-me ao espírito o seguinte pensamento acompanhado de doze calafrios na espinha e seis contrações espasmódicas (vulgo: f...s da p... de cãibras):
- Meu Deus! Se não me apresso a "joinar" esta gajada toda nestas multi-sofisticadas ferramentas, amanhã estarei condenado ao mais terrífico dos esquecimentos. A minha existência, tal como até aqui a considerei, está presa por um fio mais ténue do que o que prende o Engº (das máquinas de cortar bacalhau às postas) Sócrates ao cargo de 1º Ministro desta mui sui generis República.
E foi então que me decidi a criar uma miríade de páginas pessoais nos diversos "sítios" web. Meu Deus! Até já conferimos a dimensão de "sítio" a algo que é apenas do domínio do virtual.
Agora percebo. Eis que se fez luz. TIVE UMA EPIFANIA!
O fisco chupa-me até ao tutano, não em função dos meus rendimentos reais mas sim em função daqueles que, virtualmente, deveria ter ganho. Se não ganhou... azarito. Tivesse ganho. Não fosse langão!
É o matrix reloaded elevado à enésima potência.
Estou desgraçado!
E daí talvez não... será que a minha passagem à clandestinidade virtual significará a minha não-existência como contribuinte?
Vou à rua afogar esta dúvida metódica em meia-dúzia de imperiais e três pires de tremoços.
Ahhhhhhhhhh! É verdade....
A história de ter criado as tais páginas pessoais é mentira!
Sou cada vez mais um Calvinista confesso. Deus escolheu alguns de nós para serem importantes, outros (muitos) para serem insignificantes, outros (muitos mais) para terem a mania que são importantes e outros (uns quantos felizes contemplados entre os quais eu me insiro [gosto muito de inserir]), para carregar a cruz de betão armado, andar pelo mundo a espalhar amor e não ter direito a qualquer página pessoal na internet.
Arranjámos um blog e poupa-o!
Digo eu!... (mas eu também digo muita coisa que não tem importância nenhuma).
17 fevereiro 2010
Enquanto um cigarro arde
Dentro de um casaco de malha preto, cotovelos a raiar a inexistência, saia cinzenta, coçada, adivinha-se uma mulher nova a quem a vida fez o desfavor de envelhecer precocemente.
Senta-se todos os dias no mesmo banco, à mesma hora, com a mesma displicência.
Os pombos cirandam em seu redor, receosos, expectantes.
Acende um cigarro.
No seu olhar não há lugar a tristeza pois há muito tempo nele se instalou a indiferença.
Cabisbaixa, olhos cinzentos fitando o vazio ou, quiçá, ensaiando jogadas no xadrez da saia.
No que pensará? Fará o balanço do dia? Organizará mentalmente a labuta que resta? Ou, simplesmente, descansará, pensando em nada ou em nem sequer pensar?
Xeque-mate!
O seu olhar perdido regressa de viagem.
Fita a beata suspensa de dois dedos amarelados pelo vício. Leva-a aos lábios carnudos e inspira uma última espiral de fumo consolador.
Levanta-se - abatida - e despede-se do momento, projectando no chão os restos de um instante de prazer.
Esmaga-os com um sapato já cansado, como se, acto contínuo, esmagasse a sua má-sorte.
Parte, de mão-dada com a solidão.
Vai... sabe-se lá para onde.
15 fevereiro 2010
Porque sim!
Amo-te como o Pablo Neruda disse que era possível amar...
Amo-te porque sou parvo.
Amo-te porque não tenho amor-próprio nem vergonha na cara.
Amo-te porque amar é isso mesmo: perder o amor-próprio, ganhar motivos para me envergonhar...
Irei amar-te até inspirar o que é óbvio: que não tenho quaisquer motivos para o fazer, a não ser, talvez, o magoar-me a mim próprio, estúpida e ininterruptamente.
Já nem sei porque te continuo a amar.
Amo-te... porque sim!
12 fevereiro 2010
Carnavais à séria
Uma última faina
um avião passa e repassa,
aguardando que a maré ouse devolver aquilo que o mar reclamou:
- O corpo de um pescador; a sobra de uma última faina.
Os nossos olhares cruzam-se, receosos, evitando-se, estranhos.
Não pelo que possam dizer mas por dizerem coisa nenhuma.
Na aritmética do momento, adicionámos um cigarro,
multiplicámos silêncios, dividimos a despesa e os rumos.
A prova dos nove deu resto de zero.
Não foi um almoço.
Foi a constatação final de um naufrágio, a consagração de uma morte.
Foi, porventura, a sobra de uma última faina.
A Tertúlia do Ginjal (recuperação de um clássico)
Então? Aqui arrepimpadinho na esplanada?
É verdade amigo Armando! Aqui a remoer nos tempos do antigamente…
Atão e tu?
Olha pá, venho agora lá de cima, da Fonte Luminosa. Fui aviar os medicamentos. Porra pá! Até venho de perna aberta! Isto cada vez tá pior!
Assenta aí um bocado pá!
Ó Pé Curto… traz aí duas ginjinhas!
Com que então a remoer nos idos de outrora, hein?
É verdade pá… mas isto Cacilhas já não é o que era. Tu alembras-te da nossa tertúlia?
Ó pá!... penso tantas vezes nisso… nós ambos os dois, o Xico “Canudo”, o “Espanta Cães” e o “Zé da Pipa”!
G’anda seita pá!
Não havia bicho que metesse medo à malta nem maleita qu’entrasse no cabedal… Olha… por exemplo… em vez de ginjinhas mamávamos absintos!
É pá, não me fales de absinto que m’alembras das cruzes!
Cruzes? Quais cruzes?
As minhas, pá! O meu médico de família diz que o meu fígado tá aqui que parece um boletim do Euromilhões… cheio de apostas múltiplas! Eheheh
A filha da Amália peixeira, sabes quem é, não sabes? Aquela que morava nas escadinhas do castelo…
Sim já me lembro…
Pois! Essa mesmo… a miúda é farmacêutica. Disse-me no outro dia pa eu ter cuidado com a alimentação… pa fazer uma dieta regrada…
E qu’é que tu lhe respondeste?
É pá, eu disse-lhe que, devido à reforma que tenho por mês, aplicava sempre às minhas refeições a regra dos noves… noves fora nada! Eheheheh
Partiu-se toda a rir!... muita simpática a moça… e jeitosa… herdou aquelas ancas da mãe.
Tu alembras-te das ancas da mãe?
Ó pá! Se m’alembro!...
Quando ela passava p’la malta, a gente fazia de conta que não ligava… mas depois era tudo a olhar pa trás, a tirar o molde ós quadris qu’eram da largura da canastra qu’ela levava à cabeça! Eheheh
Ai que secura!
Por falar nisso… Ó Pé Curto… traz aí mais duas ginjas!
E as noitadas de fado n’”O Farol” e n’”O Grande Elias”?
É pá… ainda te lembras como o Xico “Canudo” cantava o fado? G’anda malha!...
Se m’alembro!... O Xico… g’anda Xico… Ainda te lembras como é qu’ele ganhou a alcunha do “Canudo”?
Lembro pá! Foi porque o gajo ateimava qu’era Doutor… que tinha tirado o curso na tropa.
E lembras-te d’ele andar sempre c’aqueles livros muita esquisitos debaixo do braço?
Lembro!... ainda tenho um em casa qu’ele m’ofereceu… A Arte de Galanteria, dum gajo qualquer do tempo dos Filipes… D. Francisco de Portugal.
De vez em quando pego naquilo pa ler… não admira qu’o Xico fosse esperto pá! Aquilo tem lá umas gandas verdades.
O gajo era Português mas andou lá fora à porrada por conta dos Espanhóis… é pá foi naquela altura qu’os Espanhóis mandaram em nós… tu sabes, não sabes?... Quando regressou, vinha à espera de uma recompensa do D. Filipe – ou lá com’é que se chamava o maricas do rei. Mas como o gajo era Português, e ainda por cima andava a comer as damas todas lá na Corte, em Espanha, o outro fez-lhe um manguito!... Mas o nosso não se ficou – o gajo era teso! Vai daí e escreveu a seguinte quadra… e em espanhol… pa não haver dúvidas:
(‘pera aí… deixa-me dar aqui mais uma quinada que já ‘tou a ficar co’a goela seca!)
Los mejores valen menos;
Mirad que gobernacion:
Ser gobernados los Buenos
Por los que tales no son!
Á g’anda Xico “Canudo”!... ou melhor… neste caso é mais Á g’anda Xico de Portugal! Eheheheh
Mas olha qu’isso bem s’aplicava hoje a nós… estes políticos qu’a gente tem não valem um chavelho e andam aí atrás da cheta que nem cães atrás dum osso!...
Pois é pá! Olha… fazia cá falta o nosso “Espanta Cães”!
Nem mais! Mas que raio seria qu’o homem tinha qu’os cães fugiam dele com’ó Diabo da cruz?
E pá… eu isso não sei! Mas lá qu’agora dava um granda jeitão… lá isso dava! Tu ‘tás a ver a gente a largar o gajo dentro dum Conselho de Ministros? Aquilo é qu’havia de ser… Ministros, Secretários de Estado, Adjuntos, Consultores dos Adjuntos, Manicuras, Pedicuras… tudo a saltar p’las janelas?… e a gente sentados cá fora, a beber umas bjecas e a rir às gargalhadas, como fazíamos quando o Zé da Pipa ía roubar maçãs reinetas à mercearia do coxo.
Eheheheh… Ena pá… o Zé da Pipa… O gajo tinha a mania da pesca... Tu alembras-te, aí por alturas do 25 d’Abril, qu’o gajo ‘tava à pesca no Olho de Boi e a malta chegou lá, ao pé dele, e nacionalizámos-lhe um safio muita grande qu’ele tinha apanhado?
Ehehehe… atão não m’alembro? Foi nesse dia pó jantar, com 3 kgs de batatas. Eheheheh… Ganda caldeirada acompanhada c’o palhinhas de 5 lts que tu trouxeste lá de cima, da taberna do Pancão…
Ai… que tempos bem passados… Ó Pé Curto!...
Já sei! Já sei!... mais duas ginjinhas…
10 fevereiro 2010
Sócrates, o Joãozinho e o Paulinho
Depois de apresentar todas as maravilhosas “realizações” do seu Governo nesses 100 dias, disse às criancinhas que iria responder a perguntas.
Uma das crianças levantou a mão e Sócrates perguntou:
- Qual é o seu nome, meu filho?
- PAULINHO.
- E qual é a sua pergunta?
- Eu tenho três perguntas:
1ª) Onde estão os 150.000 empregos prometidos na sua campanha eleitoral?
2ª) Quem meteu ao bolso o dinheiro do Freeport?
3ª) O senhor sabia dos escândalos do Face Oculta?
Sócrates fica um pouco desnorteado, mas neste momento a campainha para o
recreio toca, ele aproveita e diz que responderá depois do recreio.
Após o recreio, Sócrates diz:
- Porreiro Pá, onde estávamos? Acho que eu ia responder a perguntas.
Quem tem perguntas?
Um outro garotinho levanta a mão e Sócrates aponta para ele.
- Pode perguntar, meu filho. Como é o seu nome?
- JOÃOZINHO, e tenho cinco perguntas:
1ª) Onde estão os 150.000 empregos prometidos na sua campanha eleitoral?
2ª) Quem meteu ao bolso o dinheiro do Freeport?
3ª) O senhor sabia dos escândalos do Face Oculta?
4ª) Por que é que a campaínha do recreio tocou meia hora mais cedo?
5ª) Onde está o PAULINHO??
09 fevereiro 2010
08 fevereiro 2010
Ontem...
Deixo-me embalar na memória do seu abraço, de quando me aninhava nela e ela em mim e nos estreitávamos, como se fosse possível fundir nossos corpos para assim passarem a noite.
Acordo para uma cama vazia...
É noite... ainda.
Visto-me; saio para a rua; meto-me no carro e rumo ao Cabo.
No extremo do promontório estendo-me sob um céu estrelado ouvindo o mar espreguiçar-se sobre as rochas e sentindo a carícia do vento. O vento... meu irmão. Pedi-lhe que corresse célere e lhe sussurrasse ao ouvido "espero por ti!".
Lá em baixo o mar continuava zurzindo encantamentos a um homem desencantado. Não me apeteceu descer.
Não! Ainda não!...
(Dedicado a uma amiga que costuma dizer que, por mais velhos, audazes e sabedores, não passamos de crianças a precisar do conforto de um colo e de uma palavra encorajadora.)
04 fevereiro 2010
Mais um elogio à mediocridade e à hipocrisia.
Vd aqui
02 fevereiro 2010
Leituras
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos
Sebastião da Gama
01 fevereiro 2010
Mais cedo ou mais tarde, caro Mário, o palhaço actuaria...
Não... não é nenhum remake do episódio da Guerra das Estrelas. É, com toda a certeza, mais uma jornada de caça contra o jornalismo sério e a liberdade de expressão.
30 janeiro 2010
STOP

Ontem jantei no Restaurante STOP em Campo de Ourique.
Excelente carne de porco à Alentejana e o vinho da casa sempre ao seu melhor nível. Enfim!... uma refeição monotonamente agradável pela falta de surpresa que a contínua qualidade daquela casa nos inspira, vez sim, vez sim.
Mas ontem...
Ontem foi dia de o jantar se ver inexoravelmente secundarizado pela materialização de uma das obras de um mestre renascentista.
Eu juro a pés juntos que a Vénus de Sandro Botticelli jantou ontem no Restaurante STOP de Campo de Ourique..
Leituras
"As ites e o Regulamento" in Jorge de Sena, Os Grão-Capitães
29 janeiro 2010
Revista de Imprensa. É só rir...
A partir de agora os bombistas da Al-Qaida apenas terão como alvo aviões com os depósitos de gasolina na reserva, de modo a que o efeito das explosões não se revele tão nocivo para o meio-ambiente.
Mário Soares considera incontornáveis negociações com os taliban no Afeganistão
Mas haverá alguma coisa neste santo planeta sobre a qual este personagem não tenha opinião? Um dia gostava de lhe perguntar o que acha sobre a promiscuidade sexual entre amibas.
OTAN matou Imã por erro em Cabul
Ups!
Polícia investiga vídeo em que homem beija galinha no Metro
Não há direito! Isto tem que acabar.
Não à exploração sexual das galinhas: quem quiser ovos que os ponha!
(E nem me atrevo a ler mais porque já estou aqui que não me tenho)
28 janeiro 2010
Por falar nisso...
Fica a promessa.
Sons
Jude I Know
OST do filme Cidade dos Anjos (City Of Angels, Brad Silberling, 1998). Remake do filme Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, Wim Wenders, 1987).
[Este vídeo tem um pequeno bug sonoro, mas foi o único de jeito que encontrei]
!...
- Pai, baixa-me esta crista no cabelo. Está a estragar-me o style!
Porra! Estou velho!
27 janeiro 2010
Por vezes...
Abrir a goela e proferir, alimentado por um fôlego ininterrupto vindo sabe-se lá de onde, um contínuo de impropérios contra mim próprio.
É karma; motivo de aprendizagem; estratégia de evolução? Talvez. Mas às vezes sabe bem gritar "Puta que pariu tudo isto!". É libertador, renova o espírito e, embora nem sempre surta os resultados almejados, alinha os chacras, os meridianos e os pontos de acupunctura.
E assim vou eu, numa espécie de hula-hula cerebral, tentando segurar as travessas em ambas as mãos sem deixar cair os copos.
Um amor, velho e inconformado para mim, morto e enterrado para ela; as angústias da espera - espera por respostas, por perspectivas de futuro, por pontos de fuga...
Um pouco de normalidade vinha a calhar.
Dou por mim a rir de outro tanto. O contra-senso inerente... Alguém que advoga a diversidade e a alteridade como valores dinâmicos e propiciadores de mudança anseia agora por um pouco de normalidade. Teria querido dizer estabilidade ao invés de normalidade? Provavelmente o erro estará na escolha de palavras ou - melhor e mais cómodo - o erro está em mim.
É uma travessia. Mas por vezes...
26 janeiro 2010
Leituras
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
Antologia Poética
25 janeiro 2010
Leituras
Edgar Morin et Samir Naïr. Instituto Piaget. s.d.
Relembrei hoje com agrado esta magnífica leitura. Vd.
Tal como é necessário estabelecer uma comunicação viva e permanente entre passado, presente e futuro, também é preciso estabelecer uma comunicação viva e permanente entre as singularidades culturais, étnicas, nacionais e o universo concreto de uma Terra pátria de todos.
Se puderem ler... vão ver que vão gostar. Por vezes é preciso que a evidência se nos esmague na testa como um insecto no pára-brisas de um carro a alta velocidade...
Leituras
e isso não é tanto uma meta,
senão uma energia.
Cada dia é uma crisálida,
cada dia ilumina uma metamorfose.
Caímos, levantamo-nos,
cada dia a vida começa de novo.
A vida é um acto de resistência e reexistência.
Vivemos, revivemos.
Mas tudo isso tem uma memória.
Nós somos aquilo que recordamos.
A memória é a nossa morada nómada,
como plantas ou aves migratórias.
As memórias têm a estratégia da luz:
seguem em frente;
assim como o remador se desloca de costas para poder ver melhor.
Há uma dor, como uma dor de dentes,
como uma perda física.
E é perder alguma recordação que queremos,
essas fotos imprescindíveis no álbum da vida.
Por isso existe uma classe de melancolia que não agarra,
mas que alimenta a liberdade.
É nessa melancolia, como espuma nas ondas,
que nascem os sonhos.
Manuel Rivas
Aquela saudade...
De quando em vez bate aquela saudade de vir aqui largar umas larachas...
Estou hesitante... hesito... e volto a hesitar...
Vou beber mais um irish (que não coffee) e depois voltarei com a decisão.
Bjs e abraços





